Incertezas marcam nova rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã

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Estados Unidos e Irã vão iniciar a terceira rodada de negociações nucleares deste ano — a oitava desde 2025 — na capital da Suíça, Genebra. O cenário, porém, quase não mudou de lá para cá Enquanto o presidente Donald Trump emprega esforços para conter a possível construção da bomba atômica iraniana, o governo do aiatolá Ali Khamenei nega as acusações sobre buscar uma arma nuclear, e se diz pronto para a diplomacia ou guerra.

Negociações entre EUA e Irã

  • Em abril de 2025, EUA e Irã retomaram as negociações de um possível acordo nuclear entre os dois países.
  • Desde então, sete rodadas de reuniões já aconteceram, mas sem grandes avanços.
  • No último ano, as negociações foram canceladas depois de Israel realizar o que chamou de “ataque preventivo” contra o programa nuclear iraniano. Os EUA também participaram dos bombardeios.
  • O principal foco norte-americano nas negociações é impedir que o Irã construa uma arma nuclear — apesar de o país persa negar tal intenção.
  • Já o Irã busca um acordo que possibilite o fim de sanções econômicas dos EUA contra o país, que estrangulam a economia local desde a década de 1980. 
  • Os dois países firmaram pacto nuclear neste sentido em 2015, quando Barack Obama ainda ocupava a presidência dos EUA.
  • Em 2018, porém, Donald Trump decidiu retirar o país do acordo por considerá-lo prejudicial aos interesses norte-americanos. Ele também acusava o governo iraniano de não cumprir obrigações firmadas no pacto de 2015.

O enriquecimento de urânio por parte do Irã segue sendo o principal entrave do possível pacto nuclear entre Teerã e Washington. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país persa possuí cerca de 400 kg da matéria-prima de armas nucleares enriquecido ao nível de 60%.

Dias antes das negociações, o chefe da delegação iraniana e ministro das Relações Exteriores do país, Seyed Abbas Araghchi, deixou claro a posição do Irã.

“Nossas convicções fundamentais são claras: o Irã jamais desenvolverá uma arma nuclear sob nenhuma circunstância”, disse o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, em um comunicado divulgado na terça-feira (24/2). “Tampouco nós, iranianos, abriremos mão do nosso direito de usufruir dos benefícios da tecnologia nuclear pacífica para o nosso povo”.

Enriquecimento

Segundo classificação da agência atômica da Organização das Nações Unidas (ONU), para utilizar urânio para fins civis, como geração de eletricidade, pesquisas e medicina, basta enriquecer o elemento químico até 20%.

Já os estoques de urânio do Irã enriquecidos a 60%, confirma a AIEA, podem ser convertidos, em questão de dias, ao nível de 90%. Grau este suficiente para a construção de bombas atômicas.

Por isso, Donald Trump aproveitou parte de seu discurso do Estado da União para comentar o estágio atual das negociações com o país persa. Na fala, o líder dos EUA prometeu nunca permitir que “patrocinadores do terror não terão armas nucleares”, se referindo ao Irã.

Apesar das recentes declarações de autoridades iranianas — e de um decreto religioso assinado por Khamenei no início dos anos 2000 proibindo o desenvolvimento ou uso de armas atômica no Irã —, Trump voltou a acusar o governo de iraniano ter possuir ambições nucleares.

“Nós estamos em negociações com eles, e eles querem um acordo”, disse o mandatário republicano. “Mas eles ainda não falaram as palavras mágicas: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’”, acrescentou.

Na última rodada de negociações, o Irã chegou a sugerir “enfraquecer” os níveis de seu urânio como forma de atender os pedidos dos EUA. Washington, por sua vez, cobra o fim total do enriquecimento do material.

Além disso, o presidente norte-americano relembrou outro ponto de discordância nas recentes negociações durante fala ao Congresso. Trata-se do programa de mísseis balísticos do Irã, o qual EUA e Israel desejam limitar.

“Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, disse Trump sem apresentar provas.

Por conta das acusações, refutadas por Teerã, Trump não descartou usar o que chamou de “paz por meio da força”.

Porta-aviões de prontidão

Enquanto negociadores buscam uma solução diplomática para o impasse, os EUA mantém uma enorme mobilização militar no Oriente Médio. Atualmente, os porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald Ford estão de prontidão na região, acompanhados de caças de guerra e fuzileiros norte-americanos.

No último dia 19 de fevereiro, o presidente dos EUA sinalizou que o poder bélico norte-americano poderia ser usado contra o Irã em um prazo de 10 dias, caso o governo Khamenei não aceitasse um acordo. A data estipulada por Trump termina nesta fim de semana, dias após as negociações em Genebra.

Fonte: Metrópoles/Foto: Arte/Metrópoles

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