O indígena Mateus Aurélio, do povo Marubo, foi vítima de ameaça e agressão por um grupo de pescadores ilegais na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. O caso ocorreu no dia 3 de março, no rio Ituí, próximo à aldeia Beija-Flor, do povo Matis. O MPF (Ministério Público Federal) pediu apuração da Funai, do Dsei e Ibama.
De acordo com informações da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), o indígena pescava para alimentação do grupo com o qual viajava quando foi abordado por homens não indígenas. Ele havia saído em uma pequena canoa nas proximidades da aldeia e retornava de Atalaia do Norte.
Segundo o relato encaminhado às autoridades, os invasores acusaram o indígena de ter roubado materiais do grupo. Em seguida, ele foi imobilizado e as mãos e pés amarrados. Também foi amordaçado e teve a espingarda e o telefone celular roubados. Depois disso, foi deixado à deriva no rio Ituí.
Mateus Aurélio foi localizado apenas no dia seguinte, ainda amarrado, por uma equipe de busca liderada por um cacique da região. A Unijava cita que a área é onde ocorreram os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillip, em 2022.
MPF
O MPF informou que tomou conhecimento do caso no sábado (7) e solicitou informações a órgãos responsáveis para apurar as circunstâncias da ocorrência. Um inquérito policial foi instaurado para investigar o episódio.
O procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal encaminhou ofício à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) para informar, no prazo de dois dias, se há registros recentes de invasões, pesca ilegal ou outras atividades ilícitas na região, além de indicar eventuais medidas de proteção territorial adotadas ou planejadas.
Também foram solicitadas informações ao Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) Vale do Javari sobre eventual atendimento médico prestado à vítima após o ocorrido.
O MPF solicitou ainda esclarecimentos à Univaja para obter informações complementares sobre o caso e ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) sobre registros de fiscalização, autuações ou operações relacionadas à pesca ilegal na região do rio Ituí.
Em nota divulgada anteriormente, a Univaja informou que comunicou o caso às autoridades após receber o relato por meio de sua equipe de vigilância. A organização afirmou ainda que havia indícios da presença dos suspeitos na região até o sábado (7).
Segundo a entidade, mesmo após se colocar à disposição para dar apoio logístico a uma eventual diligência, o departamento da Polícia Federal em Tabatinga informou não ter efetivo disponível para realizar a operação no local, o que, segundo a organização, pode ter prejudicado a identificação dos suspeitos.
A área onde ocorreu o ataque é conhecida por registrar conflitos relacionados à invasão de territórios indígenas e à exploração ilegal de recursos naturais, especialmente pesca predatória.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Adam Mol/Funai


