À medida que equipes do FBI, a polícia federal americana, cumprem nesta quinta-feira mandados de busca relacionados ao atentado que matou 15 pessoas em Nova Orleans na madrugada do primeiro dia do ano, cresce entre as autoridades americanas o entendimento de que o veterano do Exército Shamsud-Din Jabbar, que executou a ação, não agiu sozinho. Fontes ligadas ao sistema de justiça e ao FBI afirmaram publicamente que esta é a hipótese que lidera as investigações no momento, enquanto também são avaliadas possíveis conexões entre o caso e a explosão de uma picape Cybertruck da Tesla em frente a um hotel pertencente ao presidente eleito, Donald Trump, em Las Vegas.
A procuradora-geral da Louisiana, Liz Murrill, disse em entrevista à NBC News que pode afirmar “com alguma certeza” que há “múltiplas pessoas envolvidas” no incidente em Nova Orleans — um caso que já foi apontado por algumas autoridades como um atentado terrorista. A procuradora mencionou uma suspeita ainda sob investigação de que dispositivos explosivos encontrados no local do ataque teriam sido fabricados em um Airbnb alugado por indivíduos envolvidos no ataque.
Liz não foi a primeira a se referir ao caso. Em uma declaração anterior à imprensa, a agente especial do FBI responsável pela investigação federal, Alethea Duncan, disse a repórteres que suspeitos estavam sendo analisados pelas equipes de trabalho.
— Nós não acreditamos que Jabbar foi o único responsável. Estamos investigando agressivamente todas as pistas, incluindo aquelas de seus associados conhecidos — afirmou a agente.
A confirmação de que o motorista de Nova Orleans carregava uma bandeira do Estado Islâmico no momento do ataque contra os pedestres abriu uma série de questionamentos sobre o grau de envolvimento entre o militar e o grupo terrorista. Em vídeos postados nas redes sociais pouco antes do ataque, Jabbar afirmou que tinha “desejo de matar”, segundo afirmou o presidente dos EUA, Joe Biden, ao se referir ao caso. Especialistas apontam que os investigadores precisam determinar o mais rapidamente possível se Jabbar agiu apenas inspirado pelo EI, ou se tinha vínculos de fato com o grupo.
— Eu acredito que o desafio para o FBI agora é este: isso foi inspirado ou foi um ataque direto do EI — disse Sajjan Gohel, diretor de Segurança Internacional da Asia-Pacific Foundation, em entrevista a CNN.
Em meio às apurações, autoridades também informaram que os investigadores estão averiguando possíveis elos entre o ataque em Nova Orleans e a explosão do veículo da Tesla em Las Vegas, que autoridades sugeriram ter sido intencionalmente provocada.
— Nós certamente estamos investigando qualquer conexão com o que aconteceu em Nova Orleans, bem como outros ataques que ocorreram ao redor do mundo — disse o xerife do Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas, Kevin McHail, durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira, acrescentando que não havia, até aquele momento, nenhuma prova de vínculo com terrorismo.
Um possível fator que relacionaria os dois casos seria o fato de que os veículos utilizados no momento dos incidentes teriam sido alugados por meio de um mesmo aplicativo de locação de automóveis, o Turo. O vínculo frágil, contudo, foi apontado por autoridades em Las Vegas como uma coincidência.
A empresa disse em uma declaração que estava “fazendo parcerias ativas com autoridades policiais enquanto investigam ambos os incidentes” e que não tinha nenhuma informação de que os locatários dos veículos tivessem antecedentes criminais “que os identificariam como uma ameaça à segurança”.
O FBI confirmou nesta quinta-feira que mandados de busca estão sendo cumpridos em Nova Orleans e outros estados, sem detalhar a quantidade ou quais especificamente. A rede CNN noticiou que parte das buscas estaria sendo realizada no Texas, estado de origem do suspeito morto pela polícia no local do crime.
Fonte: O Globo/Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP


