Manaus (AM) – Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam indícios de um esquema de corrupção eleitoral nas eleições municipais de 2024 em Manaus, envolvendo a suposta distribuição de dinheiro em troca de votos para a campanha do atual prefeito David Almeida. O caso tramita na Justiça Eleitoral no processo nº 0600044-07.2024.6.04.0002, que apura os fatos no âmbito da 2ª Zona Eleitoral de Manaus.
De acordo com o inquérito policial instaurado pela Polícia Federal, a investigação teve início após o recebimento de denúncias cujo teor indicaram que líderes religiosos estariam distribuindo dinheiro a fiéis em troca de votos para determinado candidato à Prefeitura de Manaus nas eleições de 2024. A PF prendeu em flagrante quatro homens na sede da igreja distribuindo envelopes com a quantia de R$200,00 cada.
A apuração aponta que o suposto esquema envolveria integrantes da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB), localizada no Monte das Oliveiras, em Manaus, e outros articuladores locais que atuariam para mobilizar eleitores em favor da candidatura investigada. Segundo a Polícia Federal, a suspeita central é de corrupção eleitoral mediante compra de votos, crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral.
No curso da investigação, foram apreendidos quatro aparelhos celulares pertencentes a pessoas apontadas como participantes da suposta articulação, entre elas Juvenal Galucio Soares, Diogo Porfírio Dias, Mauro Joel Gomes Dias e Flaviano Paes Negreiros.
Os dispositivos foram submetidos a perícia criminal federal para extração e análise de dados, incluindo mensagens, registros de comunicação e arquivos digitais que possam comprovar a existência de negociações eleitorais ilícitas.
Os exames periciais foram realizados pelo Setor Técnico-Científico da Polícia Federal, que realizou a cópia integral e o processamento dos dados armazenados nos aparelhos
com utilização de ferramentas de análise forense capazes de recuperar arquivos apagados, identificar conversas em aplicativos de mensagens e localizar palavras-chave relacionadas à investigação. O laudo pericial foi anexado aos autos na ultima sexta-feira, mais de um ano após as eleições.
Entre os elementos analisados estão conversas em grupos de WhatsApp e chats individuais, inclusive registros de diálogo com contatos ligados à campanha eleitoral. O objetivo da análise foi identificar instruções, articulações ou registros relacionados à distribuição de recursos financeiros a eleitores em troca de apoio eleitoral.
Segundo os elementos reunidos na investigação, o operador direto do esquema seria, Gabriel Lima, genro do prefeito David Almeida, apontado como responsável por intermediar as negociações e realizar a entrega de valores em dinheiro a pastores e lideranças religiosas, que posteriormente fariam a mobilização de fiéis para votar no candidato apoiado pelo grupo político. As conversas extraídas dos aparelhos celulares analisados pela Polícia Federal indicariam tratativas sobre a organização dessas entregas e a articulação eleitoral junto às igrejas.
O caso ganhou repercussão política após o vereador Coronel Rosses (PL), bolsonarista e pré-candidato a deputado federal, ter tido acesso aos autos do processo e ao laudo pericial. O parlamentar vem denunciando o caso na tribuna da Câmara Municipal de Manaus, afirmando que os documentos revelam um esquema estruturado de compra de votos nas eleições municipais.
Segundo Rosses, o caso coloca em dúvida a lisura do pleito municipal de 2024. “A direita foi roubada. A eleição de 2024 foi fraudada. A direita não perdeu por falta de propostas, perdeu para o poder econômico e para a falta de escrúpulos dessa gestão dos Almeidas”, declarou o vereador.
A investigação também busca esclarecer o grau de participação dos demais envolvidos, bem como se houve conhecimento prévio e coordenação da distribuição de recursos para fins eleitorais.
Caso confirmadas as suspeitas, os fatos podem configurar grave violação à legislação eleitoral, com consequências que podem incluir responsabilização criminal dos envolvidos e eventual repercussão no âmbito da Justiça Eleitoral.
As investigações seguem em andamento sob acompanhamento do Ministério Público Eleitoral.
*Com informações da Assessoria/ Foto: Assessoria




