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IPCA: preços sobem 0,70% em fevereiro, puxados por educação

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços variaram 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.

    O dado de fevereiro veio ligeiramente acima do esperado pelo mercado, que projetava avanço de cerca de 0,6% no mês. Pelas estimativas, a inflação em 12 meses ficaria em torno de 3,77%.

  • 🎯 Mesmo assim, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
  • No resultado mais recente, o grupo Educação teve o maior aumento de preços, com avanço de 5,21%, respondendo por 0,31 ponto percentual do índice do mês.

    Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA do IBGE, esse movimento é comum no começo do ano, quando os reajustes educacionais entram em vigor.

    “Desta vez, o grupo subiu 5,21%, o maior resultado desde fevereiro de 2023, e respondeu por cerca de 44% da inflação do mês. Sem esse efeito, o IPCA de fevereiro teria ficado em torno de 0,41%.”

     

    Em seguida aparecem os Transportes, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto. Juntos, esses dois grupos foram responsáveis por cerca de 66% da inflação registrada no período.

    Nos demais grupos pesquisados, as variações ficaram entre 0,13% em Artigos de residência e 0,59% em Saúde e cuidados pessoais.

    Veja o resultado dos grupos do IPCA:

    • Alimentação e bebida: 0,26%;
    • Habitação: 0,30%;
    • Artigos de residência: 0,13%;
    • Vestuário: 0,16%;
    • Transportes: 0,74%;
    • Saúde e cuidados pessoais: 0,59%;
    • Despesas pessoais: 0,33%;
    • Educação: 5,212%;
    • Comunicação: 0,15%.
    • Educação puxa a inflação de fevereiro

       

      O grupo Educação foi o principal responsável pela alta da inflação em fevereiro. Os preços nessa área subiram 5,21% no mês e responderam por cerca de 44% do resultado do IPCA.

      Boa parte desse avanço veio dos cursos regulares, que tiveram aumento médio de 6,20%. Esse tipo de reajuste costuma ocorrer no início do ano letivo, quando escolas e instituições de ensino atualizam o valor das mensalidades.

      Entre os aumentos mais expressivos estão:

      • 🎓 Ensino médio: mensalidades subiram 8,19%.
      • 📚 Ensino fundamental: preços avançaram 8,11%.
      • 🧸 Pré-escola: mensalidades tiveram alta de 7,48%.

       

      Embora o aumento nos preços da Educação seja comum em fevereiro — período em que costumam entrar em vigor os reajustes das mensalidades —, Gonçalves destaca que a alta registrada neste ano foi mais intensa do que a observada em 2025, quando o grupo havia subido 4,7% no mês.

      Mesmo assim, o aumento deste ano ainda foi menor do que o registrado em 2023, quando a alta no grupo havia alcançado 6,28%.

      Transportes tiveram segundo maior impacto

       

      O grupo Transportes registrou alta de 0,74% em fevereiro e teve o segundo maior impacto na inflação do mês, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o resultado do índice. Um dos principais fatores por trás desse avanço foi o aumento de 11,4% nas passagens aéreas.

      Outros custos ligados ao uso de veículos também subiram no período. O seguro voluntário de automóveis ficou 5,62% mais caro, enquanto o conserto de veículos teve alta de 1,22%. Já as tarifas de ônibus urbano avançaram 1,14%.

      Esse aumento no transporte coletivo reflete reajustes aplicados em várias capitais ao longo do início do ano. Entre eles estão:

      • Fortaleza: alta de 20% nas tarifas, em vigor desde 1º de janeiro.
      • Belo Horizonte: aumento de 8,7%, também a partir de 1º de janeiro.
      • Rio de Janeiro: reajuste de 6,38%, válido desde 4 de janeiro.
      • Salvador: alta de 5,36%, aplicada a partir de 5 de janeiro.
      • São Paulo: aumento de 6%, em vigor desde 6 de janeiro.
      • Vitória: reajuste de 4,16%, a partir de 12 de janeiro.
      • Recife: alta de 4,46%, válida desde 1º de fevereiro.
      • Porto Alegre: aumento de 6%, aplicado a partir de 19 de fevereiro.

       

      Algumas capitais também registraram queda nas tarifas de transporte coletivo, o que ajudou a reduzir os preços nesse segmento.

      Em Curitiba, por exemplo, o valor do ônibus urbano caiu 1,27% por causa da tarifa mais baixa aplicada aos domingos e feriados.

      Em Brasília, a variação foi ainda maior, com recuo de 9,54%, devido à gratuidade nesses dias. Em Belém, onde a mesma política também está em vigor, o índice ficou em 1,04%.

      No caso do metrô, os preços ficaram estáveis no resultado geral.

      Ainda assim, houve movimentos diferentes entre as cidades: em Brasília, a gratuidade aos domingos e feriados levou a uma queda de 9,54%, enquanto em São Paulo houve reajuste de 3,85% nas tarifas a partir de 6 de janeiro.

      O mesmo aumento foi aplicado ao trem na capital paulista, o que contribuiu para a alta registrada nesse serviço. Também em São Paulo, o item que considera a integração entre diferentes meios de transporte público refletiu esse reajuste nas tarifas.

      O item táxi também apresentou aumento, influenciado por reajustes em algumas capitais. As tarifas subiram 4,26% em Porto Alegre, 4,53% em Salvador, 18,70% em Fortaleza e 4,92% no Rio de Janeiro, todos aplicados ao longo do início do ano.

      Já os combustíveis, no geral, tiveram leve queda de 0,47%. O resultado foi puxado pela redução nos preços da gasolina, que recuou 0,61%, e do gás veicular, que caiu 3,10%. Por outro lado, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel teve alta de 0,23%.

      “No caso da gasolina, houve uma redução de cerca de 5,2% no preço repassado pelas refinarias às distribuidoras no fim de janeiro, o que pode ter contribuído para esse resultado”, explicou Gonçalves.

       

      Outras variações no mês

       

      O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,59% em fevereiro. Dentro dessa categoria, os principais aumentos vieram dos artigos de higiene pessoal, que subiram 0,92%, e dos planos de saúde, com alta de 0,49%.

      Já o grupo Habitação avançou 0,30% no mês, após ter apresentado queda de 0,11% em janeiro. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o aumento nas tarifas de água e esgoto, que subiram 0,84%, refletindo reajustes aplicados em algumas cidades ao longo de janeiro e fevereiro.

      Ainda nessa categoria, a energia elétrica residencial teve leve alta de 0,33%, com a manutenção da bandeira tarifária verde, que indica condições mais favoráveis de geração de energia.

      Por outro lado, o gás encanado ficou 1,60% mais barato, após reduções nas tarifas registradas no Rio de Janeiro e em Curitiba.

      No grupo Alimentação e bebidas, os preços passaram de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Dentro de casa, os alimentos tiveram alta de 0,23%, influenciada principalmente pelo aumento de itens como:

      • 🫐 Açaí: alta de 25,29%
      • 🫘 Feijão-carioca: aumento de 11,73%
      • 🥚 Ovo de galinha: alta de 4,55%
      • 🥩 Carnes: avanço de 0,58%

       

      Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos e ajudaram a limitar a alta dos alimentos. Entre as principais quedas estão:

      • 🍎 Frutas: queda de 2,78%
      • 🛢️ Óleo de soja: recuo de 2,62%
      • 🍚 Arroz: queda de 2,36%
      •  Café moído: redução de 1,20%

       

      A alimentação fora de casa também subiu, mas em ritmo menor do que no mês anterior. O avanço foi de 0,34% em fevereiro, abaixo dos 0,55% registrados em janeiro.

      Nesse período, o preço das refeições desacelerou de 0,66% para 0,49%, enquanto o lanche passou de 0,27% para 0,15%.

      *g1/Foto:  Antônio Cruz/Agência Brasil

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