A morte de Kelvin Kiptum, maratonista queniano de 24 anos, em fevereiro de 2024, ainda traz consequências psicológicas para um de seus maiores adversários, Eliud Kipchoge. O bicampeão olímpico tem sofrido ameaças nas redes sociais após algumas pessoas ligarem Eliud à morte de Kiptum, que havia batido o recorde de maratona do rival, em outubro do ano passado, em Chicago.
– Fiquei chocado que as pessoas [nas] plataformas de redes sociais digam ‘Eliud está envolvido na morte deste rapaz’ – disse o corredor queniano.
Kelvin Kiptum superou o recorde do compatriota ao finalizar a maratona de Chicago com tempo de 2h00m35. Era apenas a terceira maratona de Kelvin, que ficou mais de 30 segundos abaixo do antigo recorde mundial e chocou o mundo com o resultado.
O atleta sofreu um acidente fatal em fevereiro de 2024. Ele e seu técnico, o ruandês Garvais Hakizaman, estavam no carro envolvido no acidente, em Kaptagat, no Quênia.
Após a morte do maratonista, internautas levantaram uma teoria da conspiração que relacionava Eliud à morte de Kelvin Kiptum. Em entrevista, o corredor disse que ele e a família sofrem ameaças até hoje:
– Recebi muitas coisas ruins; que vão queimar o campo (de treinamento), vão queimar meus investimentos na cidade, vão queimar minha casa, vão queimar minha família. Fiquei com muito medo de meus filhos irem para a escola – falou o maratonista.
Além do medo causado pelas ameaças, Eliud afirma que a relação com os companheiros de treino também sofreu consequências.
– Foi muito doloroso para mim lidar até com meu próprio pessoal, meus companheiros de treino, aqueles com quem tenho contato… os xingamentos vêm deles. O que aconteceu me fez não confiar em ninguém. Nem mesmo na minha própria sombra, não confiarei – acrescentou.
Embora a polêmica ainda afete a vida de Kipchoge, o maratonista vai correr pelo Quênia nas Olimpíadas de Paris 2024 e busca a terceira medalha olímpica na categoria.
Fonte: Globo Esporte/Foto: Feline Lim/Reuters
