O papa Leão XIV inicia nesta sexta-feira (25/9) uma visita de quatro dias à França, em uma viagem marcada pela tentativa de aproximar a Igreja Católica de uma sociedade cada vez mais secularizada e pelo diálogo com diferentes setores da população. O pontífice passará por Paris, Lourdes e Metz até segunda-feira (28/9), em sua quinta viagem apostólica internacional desde o início do pontificado.
Com o lema “Para que o mundo tenha vida”, a viagem pretende abordar temas como a dignidade humana, a proteção da vida, a paz, a cultura, a educação e os desafios provocados pelo avanço da inteligência artificial. Segundo o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, a visita também representa uma oportunidade de discutir a dimensão espiritual em uma Europa marcada pela queda da prática religiosa e pelas transformações sociais.
Aproximação com uma nova geração de fiéis
Um dos principais objetivos da viagem é o contato com jovens e pessoas que estão se aproximando da Igreja. Dados apresentados pela Igreja Católica na França indicam que mais de 13 mil catecúmenos receberam o batismo durante a última Páscoa no país.
Em Saint-Denis, região metropolitana de Paris, cerca de 80 mil jovens se inscreveram para participar de uma vigília com o Papa no Stade de France. O encontro também deverá reunir jovens católicos e pessoas de outras tradições religiosas, em uma proposta de diálogo inter-religioso.
A expectativa da Igreja francesa é aproveitar a visita para estimular a aproximação de pessoas que se afastaram da religião ou que passaram a demonstrar interesse pela fé na vida adulta.
A presença de novos catecúmenos é apontada pelos representantes da Igreja como um sinal de renovação em um país onde o catolicismo convive com uma sociedade fortemente secularizada. Para o cardeal Parolin, a experiência francesa demonstra que existe uma busca por respostas espirituais mesmo em ambientes nos quais a prática religiosa perdeu espaço.
Passagem por Notre-Dame
Em Paris, Leão XIV visitará a Catedral de Notre-Dame, reconstruída após o incêndio que destruiu parte da estrutura em 2019. O pontífice presidirá a celebração das Vésperas no templo, em um dos momentos de maior simbolismo da passagem pela capital francesa.
A programação também inclui uma visita à Maison Bakhita, centro voltado ao acolhimento e à integração de migrantes e exilados. O local oferece formação profissional e linguística, assistência familiar e atendimento médico e psicológico.
No sábado (26/9), Leão XIV celebrará uma missa na Praça da Concórdia, antes de seguir para Lourdes.
Lourdes e as vítimas de abusos
No famoso santuário mariano de Lourdes, o papa terá encontros com doentes, religiosos, bispos e peregrinos. Também está previsto um encontro com vítimas de abusos sexuais cometidos no contexto da Igreja Católica.
A presença desse compromisso na agenda foi destacada pela Conferência Episcopal Francesa como um dos momentos importantes da visita. Sete vítimas participarão do encontro reservado com o pontífice.
Leão XIV também participará de uma missa no santuário e, à noite, de uma procissão com velas.
Diálogo sobre o futuro da Europa
A última etapa da viagem será em Metz, no nordeste da França. A cidade está ligada à história de Robert Schuman, um dos nomes associados à construção do projeto de integração europeia.
Na segunda-feira (28/9), Leão XIV participará de encontros sobre paz, unidade europeia e diálogo inter-religioso. A agenda reforça a intenção do Vaticano de utilizar a viagem para tratar não apenas de questões internas da Igreja, mas também de desafios políticos, sociais e culturais enfrentados pelo continente.
A visita ocorre em um contexto de mudanças na relação dos europeus com a religião. Ao mesmo tempo em que a participação regular nas igrejas diminuiu em diversos países, a Igreja francesa registra o surgimento de novos grupos de jovens e adultos interessados em conhecer e ingressar no catolicismo.
Para os organizadores, a viagem de Leão XIV representa, portanto, uma oportunidade de apresentar a Igreja como espaço de diálogo e convivência em uma sociedade marcada pelo pluralismo religioso, cultural e político.
Fonte: Metrópoles/Foto: Reprodução/Vaticano
