‘Massacre do Rio Abacaxis’: PF faz operação em hotel usado por PMs para torturar vítima no AM

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A Polícia Federal fez uma operação em Nova Olinda do Norte, no Amazonas, na manhã desta segunda-feira (5), para cumprir mandados contra envolvidos no “Massacre do Rio Abacaxis”. Um hotel, usado por policiais militares para torturar uma das vítimas, e uma casa, que pertencem ao mesmo empresário, foram alvos dos agentes.

Na operação, a PF investiga policiais militares suspeitos de matar cinco pessoas, entre indígenas e ribeirinhos, em agosto de 2020. Os PMs também são investigados por desaparecer com dois corpos, além de torturar moradores de comunidades próximas à cidade de Nova Olinda do Norte.

A chacina, ocorrida no Rio Abacaxis, próximo à Nova Olinda do Norte, deixou pelo menos oito mortos.

Nesta segunda-feira, os agentes da PF entraram na casa do dono do hotel às 6h da manhã. No imóvel, os policiais encontraram mais de R$ 100 mil em espécie.

Hotel

O hotel também foi alvo da operação desta segunda-feira. Segundo a PF, policiais militares envolvidos no massacre torturaram uma das vítimas dentro do imóvel.

A investigação concluiu que o proprietário do local entregou aos agentes imagens adulteradas de câmeras de segurança, que não mostram as agressões.

“Num primeiro momento, a Polícia Federal requisitou o circuito CFTV, o HD; requisitou quem se hospedou naquele momento e requisitou os funcionários que estavam no hotel. Houve a recusa do não cumprimento das requisições. Não informaram quem estava hospedado naquele momento e quando houve a entrega do HD. Aparentemente, segundo a perícia, objetivamente analisando, o HD, nunca foi posto no circuito fechado”, disse o delegado Jonatan Simas, da PF.

Nesta segunda, a PF apreendeu todos os HDs dos computadores do hotel e espera recuperar as imagens.

Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão empresários e um advogado suspeitos de participar da farsa.

‘Massacre’

As investigações apontam que, pelo menos, oito pessoas foram mortas durante uma operação da Polícia Militar na região do Rio Abacaxis, no interior do Amazonas, em agosto de 2020. A ação aconteceu após a morte de dois policiais militares na região.

Segundo a Polícia Federal, em julho de 2020, o então secretário executivo do Governo do Amazonas, Saulo Rezende Costa, foi baleado no braço após tentar entrar com uma lancha particular em uma área proibida para pesca esportiva, em Nova Olinda do Norte.

Dias depois, quatro policiais militares à paisana foram até o local na mesma lancha para prender os atiradores. Houve confronto e dois policiais morreram.

Na época, o Governo do Amazonas anunciou uma grande operação na região. O ex-secretário de Segurança-Pública do Amazonas, coronel Louismar Bonates, e o coronel da Polícia Miltiar, Airton Norte, comandaram uma operação com o objetivo de desarticular a quadrilha que aterrorizava os moradores de Atalaia do Norte.

Ao menos cem famílias de onze comunidades relataram ter sofrido tortura para revelar o paradeiro dos assassinos dos policiais.

Em abril deste ano, Bonates e Norte foram indiciados pela Polícia Federal como mandantes do massacre.

Em nota enviada à Rede Amazônica nesta segunda-feira (5), a defesa de Louismar de Matos Bonates e de Ayrton Ferreira do Norte afirmou que os dois não cometeram crime.

Segundo a defesa, na ocasião, os dois apenas determinaram a apuração do assassinato dos dois PMs. “O odioso crime, pelo que se apurou até o momento, foi cometido por traficantes que dominam a área do Rio Abacaxis e que mantém aquela comunidade refém”, diz a nota.

A defesa afirma, ainda, que Bonates e Norte não compactuaram com crimes ou excesso cometido durante a operação.

*g1AM

*Foto:  Foto: Derick Silva/Rede Amazônica

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