A Serra do Japi, local onde um jovem de Cabreúva (SP) ficou desaparecido por 12 dias, tem 350 km². Ela pode ser vista de qualquer lugar da cidade de Jundiaí, mas também cobre parte dos municípios de Cabreúva, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus. Além disso, também tem fácil acesso pelas cidades de Itu e Itupeva.
Foi nesse local, com a presença documentada de vários animais, incluindo a onça-parda, jararaca e cascavel, que Davi Marcos Amancio Toledo, de 21 anos, desapareceu em 11 de dezembro. A localização dele só ocorreu em 23 de dezembro. A mãe, Laís Toledo, afirma que ele foi encontrado debilitado, desnutrido e muito cansado.
A médica veterinária Cristina Harumi Adania, da ONG Mata Ciliar, explica como é o interior da floresta, área remanescente do bioma da Mata Atlântica. “A Serra do Japi é toda íngreme. Ela tem várias descidas, subidas, a pessoa pode cair, ela [a serra] não é uma mata no nível, ela é cheia de pedras escorregadias”, afirma.
Segundo ela, o maior problema é não saber andar na mata, além de não saber no que tocar. “Em termos de andar, a pessoa que não sabe andar, ela fica pondo a mão, por exemplo, em tudo quanto é lugar, nas árvores, pega no tronco para poder ajudar a subir, descer, e aí tem taturanas que queimam, você pode pegar realmente uma aranha, que pode ser ruim também. Você pode pisar em cobras e elas vão se defender”, lembra.
“Na hora que você tá segurando um galho, você pode, certamente, ter problemas com abelhas, vespas. Isso é outra coisa. Então, os acidentes mais comuns, inclusive, são mais com os insetos, a gente sabe disso, ou as cobras. Jararaca e cascavel é uma coisa que a gente tem bastante na serra. Então, tem que saber andar.”
Ela diz ainda que os animais maiores que estão no local, como a onça-parda, notando a presença de qualquer pessoa, vão embora. “Eles não enfrentam”, comenta.
Seguir os rios e o sol
A veterinária também dá dicas para quem se perder no local. “A primeira coisa quando você vai entrar numa mata é ver a posição do sol. É isso que a gente procura saber ou seguir um rio. E, em relação a isso, nascentes, córregos, riachos, a Serra do Japi, é muito rica”, afirma.
“Acho muito difícil a pessoa se perder durante o dia. À noite, eu concordo. À noite, ela vai ficar parada e tentar abrigo, mas, durante o dia, ela deve encontrar saída, sim. É só a gente tentar olhar e ver a posição do sol, e seguir sempre um caminho. Não é difícil.”
Relembre o caso
Davi desapareceu em uma área de mata em Cabreúva (SP) no dia 11, uma quinta-feira. O boletim de ocorrência foi registrado na segunda-feira (15) e as buscas mobilizaram familiares, amigos e equipes de apoio.
Segundo o registro policial, o jovem saiu de casa por volta das 13h e foi visto pela última vez na Fazenda Guaxinduva, região próxima à Serra do Japi. Ele foi encontrado às 15h30 de terça-feira (23), ao chegar à casa de um morador da região, onde pediu um pouco de água e foi identificado.
“A pessoa reconheceu o rapaz e acionou a nossa central de monitoramento. Ao chegar lá, verificamos que ele estava bem magro, devido à quantidade de dias que ficou na mata, e com alguns ferimentos na perna”, relembra o secretário adjunto de segurança e Defesa Civil de Cabreúva, Fábio Luiz Fiori.
Levado à UPA do Jacaré, Davi teve alta nesta quarta-feira (24).
Fonte: G1/Foto: Globo Repórter/Reprodução
