Recentemente, Virginia Fonseca chamou atenção ao compartilhar que recorreu à soroterapia durante uma temporada nos Estados Unidos. Após enfrentar uma gripe, a influenciadora contou que realizou o procedimento e percebeu melhora no bem-estar. A soroterapia tornou-se um fenômeno entre os famosos. Mas será que ela é realmente necessária?
De acordo com a médica Giselle Mello, a resposta, sob a perspectiva da medicina baseada em evidências, é clara: na maioria das pessoas saudáveis, não existem evidências científicas robustas que comprovem benefícios da soroterapia para esses objetivos.
“É importante esclarecer que a terapia intravenosa possui aplicações médicas legítimas. Ela é indispensável em hospitais para pacientes desidratados, desnutridos, internados, com incapacidade de absorção intestinal ou portadores de deficiências nutricionais comprovadas. Nesses casos, trata-se de uma intervenção médica baseada em diagnóstico, indicação precisa e monitoramento clínico”, disse ela à coluna Fábia Oliveira.
O problema, segundo a médica, começa quando esse mesmo procedimento passa a ser vendido como uma solução universal para qualquer pessoa que deseja “mais disposição”, “mais performance” ou “mais juventude”.
Segundo a médica, a administração intravenosa não torna esses nutrientes automaticamente mais eficazes. Pelo contrário: quando realizada sem necessidade clínica, pode expor o paciente a riscos completamente evitáveis.
“Entre as complicações possíveis estão: 1. Reações alérgicas graves e anafilaxia; 2. Infecções relacionadas ao acesso venoso e flebites; 3. Sobrecarga de líquidos e distúrbios metabólicos; 4. Intoxicações por excesso de vitaminas e minerais. Muitas pessoas esquecem que vitaminas também possuem toxicidade. As hipervitaminoses podem causar lesões hepáticas, comprometimento renal, alterações neurológicas e diversos outros problemas potencialmente sérios”, explicou.
Outro aspecto preocupante, alertou Giselle Mello, é que muitos protocolos de soroterapia utilizam combinações de substâncias sem respaldo científico consistente para as finalidades anunciadas.
“Em alguns casos, sequer existem estudos clínicos de boa qualidade demonstrando segurança e eficácia dessas associações”, pontuou ela.
Outro ponto que merece reflexão é a falsa sensação de prevenção que esses tratamentos podem transmitir.
“Algumas pessoas passam a acreditar que uma sessão periódica de soroterapia substitui hábitos que realmente impactam a saúde: alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do estresse, vacinação e acompanhamento médico regular”, destacou a médica.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou recentemente que não há comprovação científica de benefícios da soroterapia para pessoas saudáveis e alertou para os riscos associados ao uso indiscriminado dessas infusões. O órgão também recomenda verificar se os produtos utilizados são regularizados, se o profissional está habilitado e se o procedimento possui reconhecimento técnico pelos respectivos conselhos profissionais.
*Metrópoles/Foto: Instagram/Reprodução
