Medina e Italo tentam escapar do corte; veja o que cada brasileiro precisa em Margaret River

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Quebrei a cara, mas ainda bem que não estava sozinho. Como eu, muita gente (acho que todo mundo) pensou que menos pontos seriam necessários para que os surfistas se safassem do corte da WSL. Mas, na atual temporada, os líderes do ranking não dispararam lá em cima, e a pontuação ficou mais espalhada, aumentando o sarrafo.

Assim, todas as contas feitas para Bells perderam sentido antes de Margaret River, a quinta etapa, escolhida para ser o palco do drama que desta vez envolve todos os brasileiros, a partir desta quarta. Nenhum está matematicamente salvo, nem os que se encontram acima da linha de corte.

Sim, isso inclui o tricampeão mundial Gabriel Medina, 20º, o campeão olímpico Italo Ferreira, 18º, e Yago Dora, nosso melhor surfista em 2024, em 16º. Tati Weston-Webb e Luana Silva também correm riscos na disputa feminina. Haja, coração, diria o Galvão.

Fui atrás de um novo número mágico para a salvação e conversei com uma pessoa envolvida diretamente na disputa:

– (No masculino) Realmente os tradicionais 9.300 pontos já foram. Acho que este ano (o corte) vai ficar em cerca de 11 mil ou até mais. O número de vitórias em baterias ainda poderá ser decisivo em caso de empate.

Yago, com 11.290, é o único brasileiro que passou a barreira dos 11 mil pontos na disputa masculina. Só um surfista com menos de 9.300 pontos se encontra entre os 22 primeiros: Ian Gentil, com 9.010. Após a quinta etapa, haverá o descarte do pior resultado até agora. Medina, Italo e Yago, assim como a maioria dos surfistas, têm como descarte um 17º lugar (1.330 pontos). Eles só marcarão pontos a partir da nona colocação em Margaret.

Justamente Gentil e Ramzi Boukhiam, o 19º, com 9.660, descartam um 33º (265 pontos) e já pontuarão se chegarem em 17º. Ian empataria com Medina, e Ramzi chegaria a 10.725, mesma pontuação do Italo. Para ficar na frente do marroquino, Gabriel tem de avançar sempre uma fase a mais.

Apesar de os companheiros de transmissão do sportv brincarem com o “matemático” Diogo Mourão, tenho medo de fazer contas e sempre conto com a preciosa ajuda do “Speed Ranking”, ferramenta criada por João Carvalho, assessor de imprensa da WSL Latin America. Como vocês acham que cheguei àqueles números aí em cima? Com base no “Speed Ranking”, dá para dizer que Yago, Italo e Medina ficariam com pontuações teoricamente tranquilas caso consigam ao menos chegar em nono lugar, agora pensando nos ‘’11 mil ou mais”: Yago iria para 13.280, Italo para 12.715 e Medina, 12.065.

Para a turma de baixo, a situação é mais complicada. Os irmãos Pupo, empatados em 25º com 7.310 e descarte de 1.330, e Caio Ibelli, 29º com 6.245, mas jogando fora somente 265 pontos, precisariam de ao menos um quinto lugar, quartas-de-final, para chegar a 10.725. Pode ser suficiente, mas também pode não ser. A tranquilidade deve vir com uma semifinal, que os levaria a 12.065. Já Deivid Silva, só deve se salvar caso faça a final, alcançando 11.790.

Tarefa para lá de complicada se olharmos o retrospecto de mediano para fraco dos brasileiros atuais em Margaret. É verdade que já vencemos com Medina, Filipe Toledo, William Cardoso, em evento que só terminou em Uluwatu por causa da quantidade de tubarões em Margaret, e Adriano de Souza. Mas, no geral, os resultados causam mais preocupação do que animação.

Apesar de não esconder que Margaret está longe de ser um de seus picos preferidos, Medina surpreendeu no ano passado e conseguiu o primeiro título lá. Antes, tinha como melhor resultado o quinto lugar, obtido em 2014 e 2018. Era, ao lado de Bells e do Brasil, um dos lugares em que jamais havia vencido. Tem ainda dois nonos, um 17º e um 25º.

Italo, por sua vez, conta com a regularidade a seu favor. Em sete participações, obteve um terceiro lugar, três quintos, um nono e dois 13º. Yago foi nono ano passado e ainda terminou duas vezes em 17º e uma em 13°.

Da galera abaixo da linha do corte, Caio é quem tem melhor desempenho e um surfe que se encaixa bem em Margaret. Já foi terceiro, em 2019, tem um quinto, dois nonos, um 13º e um 17º. Samuel só competiu duas vezes, ficando em 17º e nono, enquanto seu irmão, com sete participações, ainda não superou a nona colocação, obtida duas vezes. DVD disputou a competição três vezes, terminando sempre em 17º.

Importância da primeira fase

Desde a primeira etapa, tratamos a primeira fase dos campeonatos quase como uma formalidade, na qual o importante é avançar, mesmo que em segundo lugar. Quem fica em terceiro ainda tem mais uma chance, na repescagem, que só elimina quatro surfistas. Ainda falamos da importância de conseguir um cruzamento mais tranquilo na fase seguinte, mas na hora do corte, ter ganhado as baterias do round 1 poderá ser decisivo.

O número de vitórias é o primeiro critério de desempate para decidir as vagas. Como normalmente os surfistas empatados têm as mesmas colocações, a diferença deverá sair com as vitórias no round 1 ou até com a média de pontos na temporada. Veja ao fim do texto o número de vitórias e média dos pontos dos principais envolvidos na luta pelo corte.

Por exemplo, na disputa entre Medina, Ramzi e Ian, o marroquino tem cinco vitórias contra quatro do brasileiro e três do havaiano. Já na média de pontos, Medida está com 12,72, Ian com 10,30 e Ramzi com 10,09. Torço muito para não ter de ficar fazendo essas contas durante a etapa.

Uma observação feita por Marcelo Boscoli no “Por Dentro do Tour” chamou atenção: as mudanças entre os 22 primeiros costumam ser mínimas entre uma etapa e outra. Em Bells, onde tivemos um monte de zebra, apenas o Cole Houshmand furou a bolha e entrou na zona de classificação. Uma boa notícia para quem está acima da linha do corte e mais um motivo para aumentar a preocupação de quem está abaixo.

Tati e Luana também correm riscos

No feminino, Tatiana Weston-Weeb, em sétimo, e Luana, em nono, se encontram acima da linha de corte, que começa na 11ª posição, mas também não estão salvas ainda. Se no masculino achar um número mágico está difícil, entre as mulheres é ainda mais complicado. O que parece é que a briga pelas duas últimas vagas deve ficar mesmo entre Luana, Gabriela Bryan, com os mesmos 14.470 pontos da brasileira, mas perdendo no desempate das vitórias, Lakey Peterson, 11ª com 14.485, e Isabella Nichols, com 12.575, correndo por fora.

Já que o round classificatório ganhou ainda mais importância, vamos analisar as baterias de estreia dos brasileiros.

Masculino:

Bateria 2 – Medina x Jack Robinson x DVD
Disputa reúne os dois últimos vencedores em Margaret. Local e campeão em 2022, Robinson só precisa ir até a varanda para ver as condições do mar e será um adversário muito difícil dos brasileiros. Duelo equilibrado com Medina, mas com leve favoritismo para Robinson. DVD é zebra

Bateria 7 – Italo x Kanoa Igarashi x Callum Robson
Apesar de Robson estar numa temporada terrível, pode dar trabalho em condições pesadas para a direita. Mesmo sem conseguir os resultados habituais, Italo tem surfado bem. Suas manobras de finalização nas junções, sempre valorizadas em Margaret, podem fazer diferença. Deve ser disputada, mas eu apostaria no Italo.

Bateria 8 – Caio x Cole Houshmand x Ryan Callinan
Margaret é uma das ondas preferidas de Caio, que pode vencer se não se afobar e acertar as manobras fortes, sem arriscar mais do que deve. Emocional vai ser decisivo. Tanto Cole quanto Ryan mostram ótimo surfe de backside, e o brasileiro terá uma parada bem dura.

Bateria 9 – Yago x Crosby Colapinto x Frederico Morais
Vejo Yago como favorito nessa bateria, apesar da boa temporada de Crosby. Tanto o americano quanto o português terão a vantagem de serem regulares e surfarem de frente para onda, mas Yago é mais surfista que eles. Só precisa ficar ligado do começo ao fim.

Bateria 11 – Samuel x Rio Waida x Connor O’Leary
Se as previsões de ondas grandes para o primeiro dia se confirmarem, a disputa deve ficar entre O’Leary e seu backside afiado e Samuel com surfe de borda e rápido. Como já mostrou com o terceiro lugar em Bells, Waida não pode ser desprezado em direitas, mas corre por fora. Vamos ver também como Samuca vai lidar com a pressão, sendo o mais ameaçado na água.

Bateria 12 – Miguel x Liam O’Brien x Leonado Fioravanti
Miguel pegou uma parada dura pela frente. Regulares, O’Brien e Fioravanti parecem ter um surfe que se encaixa melhor que o do brasileiro em Margaret. Miguelito vai ter de contar com a experiência na escolha de ondas e errar quase nada nessa bateria para avançar e/ou disputar o primeiro lugar.

Feminino:

Bateria 1 – Luana x Molly Picklum x Alyssa Spencer
Pelo que mostrou em etapas anteriores, em ondas mais pesadas, Molly é uma das melhores do mundo e aparece como favorita. Luana e Alyssa deverão lutar pela segunda vaga.

Bateria 6 – Tati x Brissa Henessy x Isabella Nichols
Disputa equilibrada, na qual espero que a experiência vencedora de Tati em Margaret faça diferença. É uma onda na qual as fortes manobras de backside e as boas finalizações da brasileira podem lhe garantir a vitória. Porém, as duas adversárias também têm bons históricos em ondas de consequência para direita. Não será fácil.

Pontuação, descarte, vitórias e média de pontos, a partir do 16º

Masculino:
16º) Yago – 11.290 pontos (1.330) / 4V / 10,48
17º) Ryan – 11.000 (265) / 7V / 12,00
18º) Italo – 10.725 (1.330) / 4V / 13,02
19º) Imaikalani (1.330) – 10.725 / 4V / 9.28
20º) Medina – 10.075 (1.300) – / 4V / 12,72
21º) Ramzi – 9.660 (265) / 5V / 10,09
22º) Ian – 9.010 (265) / 3V / 10,30
23º) Kade Matson – 8.735 (1.330) / 2V / 8.84
24º) Seth Moniz – 7.670 (265) / 3V / 9,49
25º) Samuel – 7.310 (1.330) / 3V / 11,94
26º) Miguel – 7.310 (1.330) / 3V / 11,33
27º) Jacob Wilcox – 7.310 (1.330) / 2V / 11,27
28º) Frederico – 7.310 (1.330) / 2V / 10,21
29º) Caio – 6.245 (265) / 3V / 11,58
30º) Callum – 5.180 (265) / 3V / 9,40
31º) Eli Hanneman – 4255 (265) / 2V / 9.03
32º) DVD – 4.255 (265) / 0V / 8,41
33º) Slater – 3.990 (0) / 1V / 9,84

Feminino:
9º) Luana – 14.710 (2.610) / 4V / 8,56
10º) Gabriela – 14.710 (2.610) / 2V / 10,59
11º) Lakey Peterson – 14.485 (1.045) / 4V / 10.59
12º) Isabella Nichols – 12.575 (2.610) / 2V / 9,57

Fonte: Globo Esporte/Foto: Divulgação/WSL

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