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Ministério Público denuncia ex-presidente do Solidariedade por organização criminosa

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O Ministério Público Eleitoral apresentou uma denúncia contra Eurípedes Júniorpresidente licenciado do Solidariedade, por organização criminosa e outros crimes. Neste mês, o político foi alvo da Operação Fundo no Poço, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga desvio de aproximadamente R$ 36 milhões dos fundos partidário e eleitoral.

Além do político, que também foi dirigente do Pros (Partido Republicano da Ordem Social) antes de a sigla ser incorporada ao Solidariedade, nove pessoas foram denunciadas: o político Alessandro Sousa da Silva; a tesoureira do Solidariedade Cintia Lourenço da Silva; o empresário Epaminondas Domingos do Nascimento Júnior; o cientista político Felipe Antônio do Espírito Santo; o ex-deputado distrital Berinaldo da Ponte; as advogadas Julia Rodrigues Monteiro Barros e Karen Lucia Santos Rechmann; o vigilante Lusiano Francisco de Sousa; e o servidor público Márcio Xavier da Silva.

Na denúncia, o promotor Paulo Roberto Binicheski coloca Eurípedes como líder da organização criminosa “formada por seus familiares e pessoas próximas de sua confiança” e diz que ele foi “responsável diretamente pela apropriação de recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral, destinados ao Pros, em proveito próprio e alheio”.

“Além disso, juntamente com outros integrantes da organização criminosa, furtou numerário significativo pertencente à agremiação política quando não mais podia movimentar formalmente suas contas bancárias, bem como inseriu declarações falsas nos autos das prestações de contas declaradas perante a Justiça Eleitoral, para fins de macular os crimes anteriormente perpetrados”, destaca o promotor.

Na denúncia, o MP Eleitoral elenca os crimes de organização criminosa, apropriação indébita, furto qualificado mediante fraude de recursos do fundo partidário, falsidade ideológica eleitoral e peculato. Também pede o pagamento de mais de R$ 28 milhões, a fim de reparar danos provocados pelos desvios, e manutenção de prisões dos suspeitos.

A reportagem acionou a defesa de Eurípedes. “Usaram a pior forma de acusar: em vez de narrarem fatos e descreverem crimes, preferiram transformar meras suspeitas e conjecturas em acusações, e agora vão ter que sair correndo atrás de tentar dar um mínimo de realidade a suas fantasias punitivas”, dizem os advogados José Eduardo Cardozo e Fábio Tofic Simantob. A defesa também afirma que o cliente provará a inocência diante dos fatos que estão sendo investigados no inquérito policial.

Investigações

Eurípedes está preso desde 15 de junho, depois de ter ficado três dias foragido. A PF investiga, entre outras possíveis irregularidades, o uso de candidaturas laranja para receber dinheiro do fundo eleitoral.

Os investigadores também ressaltam que encontraram indícios de superfaturamento de serviços de consultoria jurídica e desvio de recursos partidários destinados à FOS (Fundação de Ordem Social), a fundação do extinto Pros.

As investigações começaram em 2018, e segundo fontes na Polícia Federal, do início da apuração até 2023, a suspeita é de que tenham sido desviados R$ 36 milhões. Eurípedes teria comprado um helicóptero avaliado em R$ 2,4 milhões para uso pessoal com dinheiro do fundo.

“Os envolvidos estão sendo investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, furto qualificado, apropriação indébita, falsidade ideológica eleitoral e apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral”, disse a PF.

Eurípedes é indicado como líder de uma organização criminosa, da qual também participariam: a própria esposa, Ariele Macedo; as duas filhas, Jheniffer e Giovanna de Macedo; o primo, Alessandro Sousa, ao lado da esposa, Cíntia Lourenço; o irmão Fabrício Gomes; a cunhada, Kelle Dutra. Desses nomes, Alessandro e Cíntia também estão incluídos na denúncia do MP Eleitoral.

Enquanto Ariele e Giovanna Macedo são citadas como laranjas do esquema, a outra filha de Eurípedes Júnior, Jheniffer Macedo, participaria do grupo central da organização criminosa. Segundo o relatório da PF, os alvos agiam em várias frentes, desviando recursos destinados à manutenção da legenda pelo Fundo Partidário e à promoção de candidaturas pelo Fundo Eleitoral.

Para a lavagem do dinheiro, há indícios de uso de empresas e fundações, além da contratação de serviços de advogados. Compra e venda de imóveis também estão entre as transações utilizadas como evidência de crime pela polícia. Viagens da família ao exterior, como à cidade de Miami (EUA), também levantaram suspeita.

*R7/Foto: Divulgação/PROS

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Last Updated on 27 de junho de 2024 by Mara Noronha