No último dia 24, aniversário de Manaus, a população foi surpreendida com o corte de árvores localizadas na avenida Eduardo Ribeiro, próxima ao Teatro Amazonas, bairro Centro, zona Centro-Sul da cidade. A poda ocorre em meio ao forte verão amazônico intensificado pelo El Niño, seca extrema do rio Amazonas e qualidade do ar que varia entre ruim e péssima, em virtude da densa fumaça oriunda de focos de queimadas ao longo da Região Metropolitana de Manaus (RMM).
O acrítica.com esteve na avenida Eduardo Ribeiro nesta sexta-feira (27) e constatou que seis árvores estão podadas até o galho e ao longo da via outras três árvores também estão podadas para dá passagem aos fios elétricos. Um vendedor de água que preferiu não se identificar informou que “a situação do calor só piorou depois que cortaram as árvores”. Uma vendedora de revista, também não quis se identificar, declarou que “tem dias que é difícil trabalhar e que ao menos tinha a sombra das árvores”.
Em outro ponto da cidade no bairro Parque Dez de Novembro, zona Centro-Sul, em uma praça com acesso pela rua Carlos Lecor, a reportagem constatou o corte de mais duas árvores: uma estava até a base do tronco e a outra parcialmente podada e pelo chão as folhas tomavam conta do lugar. Ali é uma área tanto comercial quanto residencial e entre as árvores perpassavam fios elétricos. Ninguém quis conceder entrevista.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que a ação ocorrida na avenida Eduardo Ribeiro é de responsabilidade da Amazonas Energia e é comum uma vez que busca diminuir acidentes relacionados às descargas elétricas. A pasta informou também que a ação é legal e está amparada pelo plano diretor do município. No entanto, não se manifestou acerca do corte na praça localizada no bairro Parque Dez de Novembro.
Compensação
Questionado na quinta-feira (26) sobre o assunto, o prefeito de Manaus, David Almeida, pontuou que essa poda está prevista em contrato com a concessionária de energia assinado em gestões municipais anteriores a dele.“Eles fazem a poda das árvores. Veja bem, a gente fica entre a Cruz e a Espada: se eles não fizerem a poda da árvore, (as árvores) podem cortar os fios e a cidade ficar sem energia. Eles (Amazonas Energia) fazem a poda das árvores com a autorização dos órgãos ambientais e existe todo esse movimento”, disse.
Almeida informou que existe uma compensação para cada árvore cortada em Manaus. Ele citou como exemplo as mais de 53 árvores derrubadas ao longo da avenida Ephigênio Salles, na zona Centro-Sul da cidade, para o inicio das obras de alargamento e construção de uma passarela para pedestres orçada em R$ 9.1 milhões, divididos entre R$ 8.7 milhões pagos pelo Governo do Amazonas e R$ 355.4 mil pelo município. A ordem de serviço foi assinada em novembro de 2022.“Para cada árvore cortada em Manaus existe uma compensação. Nesse ano na cidade de Manaus nós tivemos 53 árvores que nós precisamos remover aqui da avenida Ephigênio Salles, mas nós já plantamos mais 4.800 mil árvores para fazer a compensação. A nossa meta até o final desse ano é plantar dez mil novas mudas de árvores na nossa cidade”, pontuou o gestor municipal. Almeida não informou onde as árvores serão plantadas até o fim de 2023.
Foto: Paulo Bindá
*A crítica
