O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou, na quarta-feira (22), a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB) e o pai dele, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações tiveram início após a Polícia Federal apreender R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo com os empresários amazonenses Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho em maio de 2025 no Aeroporto Internacional de Brasília.
Os três haviam embarcado em Manaus com destino a Goiânia–GO no voo 3747 da Latam, e foram abordados por agentes da PF durante uma fiscalização de rotina. A mala com o dinheiro chamou atenção no Raio-x por ser em grande quantia. Ao ser aberta, foram encontradas centenas de cédulas de R$ 200. Os três foram presos.
A PF ligou os empresários ao deputado e ao pai dele, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pois as empresas do trio mantinham contratos com a prefeitura de Coari. A suspeita é de que elas tenham sido usadas para fraudes em licitações.
Em dezembro de 2025, o deputado negou envolvimento com os empresários e disse que apenas ofereceu o gabinete em Brasília e motorista a Vagner Moitinho por solicitação do filho dele, vereador em Presidente Figueiredo (AM), prática que diz adotar com outros aliados.
O caso tramitava na Justiça do Distrito Federal, que o remeteu ao STF por envolver o deputado federal.
Na decisão, Moraes aponta Adail Filho e Adail Pinheiro como beneficiários do suposto esquema e determina que o inquérito apure a “suposta prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por parte de todos os investigados”, afastando o desmembramento do caso.
Transações suspeitas
Ao abrir o inquérito, o ministro citou “possível participação de parlamentar federal nas transações financeiras suspeitas”.
De acordo com Moraes, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos e analisados “revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício” de Adail Filho e de Adail Pinheiro.
O ministro também considerou que Adail Filho destinou, através de emendas parlamentares, vultuosas quantias de recursos para a prefeitura comandada pelo pai.
“Nesse sentido, verifico a relação dos fatos objeto da referida investigação com o exercício do mandato parlamentar do referido investigado, assim como a conexão entre as condutas por este desempenhadas com as dos demais investigados que não possuem prerrogativa de foro pelo exercício da função nesta Suprema Corte”, diz trecho da decisão.
O ATUAL tentou ouvir o deputado Adail Filho e o prefeito Adail Pinheiro, mas nenhuma resposta foi enviada até a publicação desta matéria.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Divulgação
