Desde 2021, viveu mais de dois anos internado ininterruptamente, dependente de nutrição parenteral por 13 horas diárias e de três sessões semanais de hemodiálise. Durante esse período, chegou a pesar 34 kg.
Apesar do quadro grave, manteve uma rotina de exercícios físicos para preservar a massa muscular e aumentar as chances de sobreviver à cirurgia. “O exercício físico salvou a vida dele”, disse sua mãe, Jussara Martins, em entrevista anterior ao g1.
O transplante e a esperança
O transplante multivisceral só foi incorporado ao protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro deste ano. A medida abriu caminho para pacientes como Perillo terem acesso ao procedimento, que pode custar até dez vezes mais que um transplante convencional.
No Brasil, cerca de cinco hospitais estão habilitados a realizar esse tipo de cirurgia. Em 2024, foram feitos mais de 30 mil transplantes no país, mas apenas dois foram multiviscerais.
Com a compatibilidade confirmada, a família comemorou a chance como um milagre. “Depois de tanto tempo de espera, é como um sonho. Eu precisava ser montanha, porque um filho sempre busca força na mãe”, relatou Jussara no dia da cirurgia.
Mobilização pela doação
Enquanto aguardava o procedimento, Perillo também se tornou um ativista da campanha pela doação de órgãos. Usava as redes sociais para conscientizar sobre a importância de manifestar a vontade em vida e conversar com a família — condição essencial para que a doação seja autorizada no Brasil.
Atualmente, a decisão pode ser registrada tanto no novo RG quanto pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponível no site www.aedo.org.br.
Legado
Com sua história, Luiz Perillo entrou para o pequeno grupo de pacientes que tiveram acesso a um transplante multivisceral no país. Sua luta por quatro anos na fila e a mobilização pela doação de órgãos deixam um legado de esperança para os outros brasileiros que ainda aguardam por esse tipo de cirurgia.
Fonte: G1/Foto: Reprodução/TV TEM