A Justiça do Distrito Federal negou, nessa quarta-feira (11/3), o pedido da defesa da técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, para incluir a lista de plantonistas no processo que investiga mortes na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Presa desde janeiro, a técnica é investigada ao lado de dois colegas por três homicídios.
O Metrópoles teve acesso ao processo. O advogado de Amanda solicitou que fossem anexados aos autos os nomes de todos os funcionários e colaboradores que trabalharam na unidade em 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025, datas das três mortes, além de outros documentos e vídeos do hospital.
Na decisão, o juiz entendeu que a solicitação envolve dados funcionais e identificação de terceiros que não são parte do caso e, por isso, são considerados sensíveis.
Segundo ele, a defesa não demonstrou, neste momento da investigação, que o acesso a essas informações é indispensável.
“A relação geral de profissionais da UTI trata-se de pleito que envolve a requisição de informações, identificação e dados, inclusive funcionais, de terceiros ao caso. Dados estes sensíveis, possíveis de acesso somente após a demonstração de sua imprescindibilidade para o deslinde da causa, porque envolve terceiros estranhos”, disse o magistrado na decisão.
O magistrado também destacou que parte dos documentos pode ser solicitada diretamente ao hospital por vias administrativas, sem a necessidade de intervenção do Judiciário.
O juiz ressaltou ainda que o caso continua em fase de inquérito e que ainda não se sabe se haverá denúncia contra os investigados. O magistrado explicou que, caso o Ministério Público apresente denúncia, a defesa poderá renovar os pedidos de acesso a esses materiais.
Investigados
Presos desde janeiro, Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, são investigados pelos homicídios de pelo menos três pacientes.
De acordo com as investigações, o trio teria injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em ao menos três pacientes. João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75, faleceram.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes supracitados. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas.
O Hospital Anchieta disse confiar na elucidação dos fatos relativos às duas investigações que se encontram em curso na Polícia Civil do Distrito Federal e ressalta que tem colaborado integralmente com as autoridades competentes.
Procurada, a Polícia Civil (PCDF) informou que as investigações de mortes suspeitas estão em andamento e que irá se manifestará ao término do inquérito.
*Metrópoles/Foto: Material cedido ao Metrópoles




