Manaus (AM), 09 de março de 2026 – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da 78ª Promotoria de Justiça de Proteção do Patrimônio Público, instaurou o Inquérito Civil nº 06.2025.00000539-0 para apurar possíveis irregularidades envolvendo a viagem do prefeito de Manaus, David Almeida, ao Caribe em 2025, bem como a eventual relação do episódio com empresários e empresas que mantêm contratos com a Prefeitura de Manaus.
A investigação teve origem em representação apresentada pelo vereador Coronel Rosses (PL), parlamentar bolsonarista da Câmara Municipal de Manaus, que encaminhou denúncias aos órgãos de controle solicitando a apuração dos fatos. A partir da representação, o caso passou a ser analisado pelo Ministério Público do Amazonas, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), além de comunicações encaminhadas à Delegacia da Receita Federal e ao Ministério Público Federal.
O inquérito civil investiga possível favorecimento às empresas MURB Manutenção e Serviços Urbanos Ltda. e Construtora Rio Piorini Ltda., que possui contratos com o Município de Manaus. Segundo os autos, a apuração busca esclarecer se empresários vinculados a essas empresas teriam custeado, direta ou indiretamente, a viagem do prefeito ao Caribe, o que poderia caracterizar violação aos princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa, além de eventual ato de improbidade.
O Ministério Público requisitou cópias integrais das licitações, atas de registro de preços, identificação de fiscais de contrato e esclarecimentos de servidores responsáveis; também determinou a análise dos processos licitatórios e contratos firmados entre essas empresas e a Prefeitura de Manaus.
O MP considerou “estranho” os processos licitatórios das empresas investigadas, que teriam ocorrido com apenas dez dias de diferença e na modalidade presencial, circunstância que pode limitar a competitividade e a transparência das contratações públicas.
Diante disso, o Ministério Público determinou novas diligências no âmbito do inquérito civil, incluindo: oitiva de pregoeiros responsáveis pelas licitações; oitiva de fiscais de contratos públicos; requisição de cópias integrais dos processos licitatórios; análise da relação contratual entre as empresas investigadas e a Prefeitura de Manaus.
Durante a investigação, o prefeito apresentou apenas os mesmos recibos já apresentados ao Tribunal de Contas do Estado. Segundo David Almeida, as passagens teriam sido custeadas por ele e teriam custado R$ 30.578,54. Entretanto, segundo registros constantes no próprio inquérito, o Ministério Público apontou lacunas e inconsistências nos documentos apresentados, destacando a necessidade de esclarecer a integralidade dos custos da viagem, bem como a real origem dos recursos utilizados.
Os comprovantes apresentados são recibos emitidos pela empresa Revoar Turismo Ltda., investigada na operação erga-omnes da Polícia Civil, que apura o vínculo dos envolvidos com o Comando Vermelho. A empresa é apontada em apurações como empresa de fachada, sem registros confirmados de reservas junto a grandes companhias aéreas.
Além disso, investigações indicam que a empresa recebeu transferência de aproximadamente R$ 1,3 milhão proveniente de uma assessora direta do prefeito, também presa na operação policial.
Para o vereador Coronel Rosses, autor da representação que motivou as investigações, a abertura do inquérito civil demonstra a importância da atuação parlamentar no controle da administração pública. Segundo o parlamentar, os documentos apresentados pela defesa do prefeito não comprovam a origem lícita dos recursos utilizados na viagem.
*Com informações da Assessoria/Foto: Reprodução
