Netanyahu fala em “dizimar” Irã, que responde com mísseis no Golfo

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Israel realizou nesta sexta‑feira (20/3) uma nova série de ataques ao Irã, um dia depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter pedido ao país para interromper os ataques contra os campos de gás do Irã.

Em represália, o regime iraniano lançou vários mísseis em direção a Israel, anunciou Tsahal (as Forças de Defesa de Israel), enquanto sirenes de alerta e explosões provocadas por interceptações da defesa aérea ressoavam em Tel Aviv.

Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, por sua vez, anunciaram ter sido alvo de ataques com mísseis nesta sexta‑feira, dia que marca o fim do Ramadã, após bombardeios iranianos contra instalações energéticas de países do Golfo ao longo da semana, que afetou os mercados globais.

“Ao amanhecer, o Exército israelense lançou uma onda de ataques contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano no coração de Teerã”, declarou um porta‑voz das Forças de Defesa de Israel, sem fornecer mais detalhes.

A ofensiva de Israel na quarta-feira (18) ao campo de gás de South Pars provocou represálias massivas de Teerã contra infraestruturas energéticas de seus vizinhos e gerou aumento dos preços do petróleo e do gás natural.

Após o ataque, o presidente americano Donald Trump pediu a interrupção das operações contra as estruturas energéticas iranianas. Trump teme a alta do preço dos combustíveis antes das eleições legislativas de novembro e pediu no domingo que seus aliados contribuíssem para a segurança no Estreito de Ormuz.

“Eu lhe disse: ‘Não faça isso’, e ele não fará”, declarou Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca. Mas Trump também ameaçou destruir “todo o campo” caso Teerã continuasse seus ataques.

Em entrevista coletiva nesta quinta‑feira (19/3), transmitida pela TV, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu disse que o Irã será rapidamente “dizimado”.

O premiê israelense afirma que Teerã não tem “a capacidade de enriquecer urânio” ou “produzir mísseis balísticos”. “Também acho que esta guerra vai terminar muito mais rápido do que as pessoas imaginam”, acrescentou, sem apresentar um cronograma.

Após três semanas de guerra, as declarações de Netanyahu acalmaram os mercados. Wall Street terminou em leve baixa e os preços do petróleo recuaram. O barril de Brent, referência internacional, girou em torno de US$ 107.

Os ataques continuam nesta sexta‑feira, dia de Noruz, o Ano‑Novo persa, e do Aíd al‑Fitr na Arábia Saudita e na maior parte dos países muçulmanos. País de maioria xiita, o Irã marcou a celebração do fim do mês de jejum do Ramadã para sábado.

De acordo com Netanyahu, Israel agiu sozinho no bombardeio de South Pars e confirmou que Donald Trump pediu a Israel que interrompesse ataques dessa natureza.

Os ataques iranianos são uma resposta às ofensivas israelenses contra o campo offshore de South Pars/North Dome, a maior reserva de gás conhecida do mundo, compartilhada por Teerã e Doha.

Novos ataques no Golfo

O Golfo continua sendo alvo de disparos de mísseis e drones. Os Emirados Árabes Unidos responderam aos ataques com mísseis, e a Arábia Saudita afirmou ter interceptado vários drones, sobretudo no leste do país.

O Bahrein diz ter controlado o incêndio de um depósito causado por estilhaços de uma “agressão iraniana”, sem dar detalhes. No Kuwait, uma refinaria que já havia sido atingida na quinta sofreu nesta sexta um novo ataque de drones, provocando um incêndio e a paralisação de várias de suas unidades.

Em represália à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro, Teerã tem como alvo os interesses americanos nos países do Golfo e as infraestruturas energéticas, o que pode ter impactos graves sobre a economia mundial.

O preço do gás na Europa disparou na quinta‑feira, levando o índice TTF holandês, referência europeia, a níveis não vistos desde 2023. O Catar estimou que sua capacidade de exportação de GNL caiu 17% após ataques recentes ao seu maior complexo de produção de gás natural liquefeito, em Ras Laffan.

O Irã não mostrará “nenhuma contenção” se suas infraestruturas energéticas forem novamente atingidas, disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. “Nosso ataque às infraestruturas israelenses mobilizou apenas uma FRAÇÃO de nossa força”, alertou.

Europeus pedem “moratória” nos ataques

Preocupados com as consequências da guerra, líderes europeus reunidos em cúpula em Bruxelas pediram na noite de quinta uma “moratória” nos ataques a infraestruturas energéticas e hidráulicas e pediram “máxima contenção”.

Após o apelo de Trump no domingo, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão disseram estar “prontos a contribuir”, no momento oportuno, para os esforços de segurança da navegação no estreito de Ormuz. A rota marítima é estratégica para o petróleo e o gás mundiais e está atualmente parcialmente bloqueada pelo Irã.

Para Paris, Roma e Berlim, a participação na segurança do estreito só seria possível após o fim dos combates. O presidente francês Emmanuel Macron mencionou a possibilidade de criar uma missão organizada em nome da ONU.

Para aliviar o mercado do petróleo, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) começaram a liberar estoques, conforme anunciado em meados de março. Um total de 426 milhões de barris, principalmente de petróleo bruto, deve ser colocado à disposição.

Situação no Líbano

No Líbano, arrastado para a guerra em 2 de março pelo movimento xiita pró‑iraniano Hezbollah, o presidente Joseph Aoun voltou a pedir uma trégua e negociações com Israel, por ocasião da visita do chanceler francês Jean‑Noël Barrot, que deve ir a Israel nesta sexta‑feira.

“Nosso papel não é absolutamente o de propor um plano para um país terceiro”, mas sim “ajudar para que possa haver discussões diretas entre eles e os israelenses”, declarou Emmanuel Macron, em Bruxelas, afirmando que isso depende de Israel.

“Por outro lado, não participaremos de nenhuma abertura forçada do estreito no contexto das operações de guerra e dos bombardeios em curso”, afirmou.

Fonte: Metrópoles/Foto: Jonathan Raa/NurPhoto via Getty Images

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