PEC da Anistia coloca Conselhão e base governista em lados opostos

Publicado em

PEC da Anistia colocou em rota de colisão membros do chamado Conselhão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a base governista na Câmara dos Deputados. Isso acontece porque, com apoio das lideranças do Planalto, há a possibilidae de ser aprovada a proposta de mmenda à Constituição para anistiar partidos que não cumpriram a cota de sexo e raça prevista na Lei Eleitoral nas últimas eleições.

Ao todo, 50 membros dos conselhos de Participação Social e de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, acionaram Alexandre Padilha, ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, e Rui Costa, ministro da Casa Civil. Em ofício, pedem a rejeição da PEC 09/23. O texto vai à análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (16/5).

“A PEC é um retrocesso à diversidade na representação política, à transparência e ao controle social dos partidos políticos e um ataque à Justiça Eleitoral”, avalia Keila Simpson, membro de ambos os conselhos e diretora da Associação Brasileira de ONGs (Abong). Organizações da sociedade civil já chamam a proposta de “PEC dos homens brancos”.

O ofício cobrando a derrubada da PEC é assinado por membros como: Laura Carvalho, economista; Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos; Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra); André Junqueira, secretário-executivo do Instituto Socioambiental (ISA); e Sueli Carneiro, filósofa e escritora.

Se aprovada, esta será a quarta anistia autopromovida pelos partidos pela não aplicação das cotas. Enquanto isso, lideranças do governo e de oposição na Câmara dos Deputados, ouvidas pelo Metrópoles, apontam a orientação favorável à PEC da Anistia. A CCJ é presidida pelo deputado petista Rui Falcão (SP) e até membros do PSol se comprometeram em não obstruir a pauta.

Na Comissão de Constituição e Justiça, a PEC da Anistia é relatada pelo deputado Diego Coronel (PSD-BA). Caso seja aprovado, o texto precisa ser submetido a uma comissão especial antes de ir ao plenário. Lá, são necessários votos favoráveis de 308 dos 513 representantes da Câmara. No Senado, é necessário o apoio de 49 dos 81 parlamentares.

As votações, em ambas as Casas, acontecem em dois turnos. Caso seja aprovada, a PEC é promulgada pelo Congresso Nacional e não há possibilidade de veto do presidente da República.

Exigência

Emenda Constitucional 117, promulgada pelo Congresso Nacional em abril de 2022, determina o repasse de pelo menos 30% do Fundo Eleitoral e do tempo de Rádio e Televisão para candidaturas femininas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda em 2020, determinou a distribuição proporcional ao total de candidatos negros apresentados pelos partidos para a disputa eleitoral. A medida passou a valer em 2022.

Foto: Hugo Barreto

*Metrópoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Moraes nega novo pedido de prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),...

Estreito de Ormuz: guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial; conheça

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã...

PRF prende homem com dívida de quase R$ 188 mil em pensão alimentícia na BR-381

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu, na noite desse...

PEC da Segurança Pública entra na reta final na Câmara sob tensão e risco de ações no STF

A PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública chega...