O que, inicialmente, parecia uma briga entre jovens, ganhou contornos de crime ao longo dos dias e terminou de forma trágica. O estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira (foto em destaque), 16 anos, não resistiu às lesões causadas pelo ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, 19, e acabou falecendo na manhã de sábado (7/2).
Veja a cronologia do caso
- O caso aconteceu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial em Vicente Pires (DF), na saída de uma festa. Pedro Turra teria jogado um chiclete na direção de Rodrigo para provocá-lo, iniciando uma luta corporal. A versão é contestada pela família da vítima, que acredita se tratar de uma emboscada.
- Diversos amigos de Turra filmaram a briga. Durante o embate, o agressor acerta um soco em Rodrigo de modo a fazê-lo bater a cabeça com violência na lataria de um carro.
- Em seguida, Rodrigo sai cambaleando, e a briga se encerra em meio a pedidos desesperados das pessoas ao redor: “Ô, Turra, vai matar ele”, disse um garoto que assistia à agressão.
- Horas após ser agredido, Rodrigo voltou para casa, mas precisou ir ao hospital. A família chamou por socorro, e o adolescente chegou a vomitar sangue durante o atendimento.
- No dia 23, Rodrigo foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, onde teve de ser intubado e permaneceu em estado grave até a manhã de sábado (7/2), quando veio a falecer.
- Na mesma data, Pedro Turra foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Porém, em audiência de custódia em 24 de janeiro, o jovem foi solto após pagar fiança de 15 salários mínimos (cerca de R$ 24.300,00). O agressor declarou durante depoimento que não tinha a intenção de machucar Rodrigo, que seguia intubado na UTI do Hospital Brasília.
- O caso ganhou extensa repercussão. Em 26 de janeiro a Fórmula Delta decidiu expulsar Pedro Turra da modalidade.
- Com a ampla divulgação das imagens da briga e do nome de Turra, novas denúncias começaram a surgir. Em 28 de janeiro, o Metrópoles noticiou que ele é investigado por forçar uma adolescente a beber vodca durante uma festa em Vicente Pires, em junho de 2025.
- Em seguida, veio à tona outro caso protagonizado por Turra. Em julho do ano passado, o piloto deu tapas na cara de um homem de 49 anos após um acidente de trânsito em Águas Claras (DF). As imagens mostram o rapaz humilhando, intimidando e agredindo a vítima.
- Diante da extensa ficha criminal e da alta repercussão do ocorrido contra o adolescente Rodrigo Castanheira, a PCDF pediu à Justiça prisão preventiva de Pedro Turra e cumpriu o mandado em 30 de janeiro. O jovem estava em casa no momento da prisão e foi levado à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), responsável pelas investigações do caso onde Rodrigo era vítima.
- Momentos antes da prisão de Pedro Turra, o delegado-chefe da 38ª DP, Pablo Aguiar, chorou durante entrevista coletiva sobre o caso. À época, Pablo disse que sentia a “dor de um pai”.
- Pedro Turra segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa já tentou a soltura e também uma cela especial, mas ambos pedidos foram negados.
- Quanto a Rodrigo Castanheira, o enterro do jovem ocorreu nesse domingo (8/2), sob forte comoção. A cerimônia contou com parentes vindos de Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ), além dos familiares do DF.
- Tio de Rodrigo, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury, espera que o caso não caia no esquecimento e pede punição não só a Pedro Turra, mas a um suposto mandante de todo o episódio que tirou a vida do sobrinho.
- Segundo Flávio Henrique Fleury, novas descobertas nas investigações apontam que um amigo do agressor Pedro Turra o convidou para bater em Rodrigo Castanheira por ciúmes, porque Rodrigo estaria se envolvendo com uma ex-namorada desse suposto mandante do crime.
- “Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [adolescente que teria tramado a morte de Rodrigo. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele”, disse Flávio.
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Homenagens
Rodrigo Castanheira nasceu em Goiânia (GO), mas veio para o DF ainda pequeno. O jovem estudava no Colégio Vitória Régia, treinava no Centro de Treinamento Arena 61 e chegou a fazer parte da base do Ceilândia Esporte Clube, tradicional time de futebol da capital.
- Além de amigos, familiares e pessoas públicas, todas as instituições supracitadas fizeram homenagens a Rodrigo Castanheira.
“Neste momento de luto, nos solidarizamos com os familiares, amigos e pessoas próximas, desejando força, serenidade e conforto para enfrentar essa perda irreparável”, declarou o Ceilândia. “Ao mesmo tempo, o Ceilândia Esporte Clube vem a público expressar seu mais veemente repúdio a qualquer forma de violência.”
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O governador Ibaneis Rocha (MDB) prestou condolências à família e classificou o caso como “um episódio profundamente estarrecedor”. “Como pai, senti o coração apertado diante de uma vida tão jovem interrompida de forma tão precoce”, declarou o governador.
A primeira-dama Mayara Noronha Rocha refletiu sobre o ocorrido “Em algum ponto dessa trajetória, faltou aprender que força não é violência, que respeito não se impõe com agressão e que cada escolha carrega um peso que pode durar a vida inteira”, pontuou.
“Que Deus conforte o coração dessa família diante de uma dor impossível de medir. E que essa tragédia nos ensine algo que parece estar se perdendo: respeito, limite e responsabilidade pelas próprias atitudes”, declarou Mayara.
*Metrópoles/Foto: Redes Socias


