Repiquete no Solimões gera descida do nível de rios, mas não há seca, diz SGB

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OSGB (Serviço Geológico do Brasil) informou que não há ocorrência de seca antecipada nos rios Solimões, Negro e Amazonas. De acordo com o órgão, a recente estabilização e pequenas quedas nos níveis das águas observadas em Manaus são resultados de um repiquete, fenômeno de vazante temporária que ocorre mesmo durante o período de enchente, e não indicam mudança no regime hidrológico da bacia amazônica.

Segundo o pesquisador do SGB André Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus, não há qualquer reversão do atual ciclo hidrológico. “Na verdade, não há um início de reversão do processo de enchente para um processo de vazante. Não é isso que está acontecendo”, afirmou ao ATUAL.

Conforme o pesquisador, o que se observa atualmente em Manaus, onde a cota do Rio Negro nesta terça-feira (6) está em 22,04 metros de profundidade, é reflexo de uma recessão pontual registrada no Alto Solimões, especialmente na estação de Tabatinga, a partir da segunda semana de dezembro.

“O que está acontecendo em Manaus agora, que é essa estabilidade, essa diminuição no ritmo de subida e até uma descida, nos últimos quatro dias o que a gente viu foram pequenas descidas na ordem de um centímetro. Isso é reflexo do que ocorreu em Tabatinga há aproximadamente 15 a 20 dias”, explicou.

Dados do SGB mostram que no dia 6 de dezembro o nível do rio em Tabatinga desceu ainda no meio do processo de enchente, acumulando uma recessão de cerca de 3 metros. Segundo Martinelli, esse tipo de comportamento não é incomum. “Isso não é atípico. Isso, por exemplo, ocorreu ano passado”, disse.

O pesquisador citou que fenômeno semelhante foi registrado em janeiro de 2025, também durante o período de cheia. “Ano passado ocorreu em janeiro, começou no meio do processo de enchente em Tabatinga. Você teve lá no dia 6 de janeiro uma diminuição no nível do rio. Então, você teve uma recessão que alcançou em 15 dias algo próximo de 3 metros, especificamente desceu 2 metros e 91 centímetros”, relatou.

Martinelli disse que, apesar da intensidade da recessão observada em dezembro, o efeito no nível do rio foi de uma condição elevada para a faixa considerada normal para o período. “E o nível hoje, por exemplo, com essa descida de 3 metros e 16 centímetros, é considerado dentro da normalidade para a época. Uma cota entre 7 e 9 metros para início de janeiro é considerado uma cota dentro da normalidade, dentro do esperado para a época. Então não é nada alarmante ainda”, afirmou.

O monitoramento da ANA (Agência Nacional de Águas) reforça a avaliação do SGB. Dados da agência indicam que o nível do Rio Solimões em Tabatinga passou de 755 centímetros, em 29 de dezembro, para 706 centímetros em 2 de janeiro, permanecendo dentro da faixa de normalidade, cuja referência para o período é de 802 centímetros.

Segundo o pesquisador, o processo de enchente na bacia amazônica está em curso e há indicação de retomada da subida do nível da água. “A tendência é de que o rio volte a subir em Tabatinga”, disse, ao explicar que o processo de enchente foi observado novamente em Iquitos, no Peru, influenciando o comportamento hidrológico do Solimões e do Amazonas.

Ainda de acordo com o SGB, o monitoramento hidrológico não registra municípios do Amazonas com níveis críticos, nem com impactos associados à seca. O órgão publica boletins semanais de acompanhamento com previsões para estações consideradas estratégicas.

Defesa Civil

A Defesa Civil do Amazonas também descartou cenário de seca antecipada. Segundo o CEMOA (Centro de Monitoramento e Alerta), a descida momentânea registrada em Tabatinga caracteriza um repiquete, fenômeno considerado normal para o período chuvoso.

De acordo com o órgão, a oscilação foi intensificada por uma anomalia negativa de chuvas nas cabeceiras do rio, mas a tendência geral permanece de subida dos níveis.

 “Vale ressaltar que a Amazônia permanece em seu período chuvoso, o que mantém a tendência geral de subida dos rios. O CEMOA segue monitorando de forma permanente a evolução das cotas e, caso haja mudança significativa no cenário de risco, as autoridades e a população serão devidamente informadas através de avisos e alertas”, citou a Defesa Civil.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Valmir Lima/ATUAL

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