Dois réus do “Massacre do Compaj” – Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira – foram condenados à prisão em regime fechado pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus. Foram cinco dias de sessão, encerrada na noite de sábado (13).
Os dois são os primeiros réus julgados pelos crimes relacionados ao Massacre do Compaj, ocorrido em 1º de janeiro de 2017, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, e que resultou na morte de 56 pessoas. O julgamento foi presidido por um colegiado composto por três magistrados designados do Tribunal de Justiça. O tempo de prisão considera a dosimetria da pena, o que será definido nesta semana.
O colegiado decretou a prisão de Geymison Marques de Oliveira, que respondia ao processo em liberdade. Anderson Silva do Nascimento está preso e participou do júri de forma presencial, no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, enquanto Geymison participou por videoconferência – a sua defesa justificou a ausência presencial no júri em razão de ameaças de morte que estaria recebendo.
O julgamento do processo nº 0211356-90.2018.8.04.0001 começou na terça-feira (9) e se estendeu por cinco dias consecutivos, sendo considerado um dos mais longos realizados pelo TJAM. As sessões tiveram quatro representantes do Ministério Público do Amazonas e das defesas técnicas dos réus – dois defensores públicos e um advogado.
Os dois réus foram condenados pelos crimes de: 56 homicídios consumados; um homicídio tentado; 45 vilipêndios de cadáveres; um crime de tortura; e por integrar organização criminosa.
De acordo com o colegiado, o júri apresentou características excepcionais em razão da dimensão do caso e do envolvimento de organizações criminosas, exigindo uma operação logística de grande porte. Mais de 100 profissionais atuaram diretamente no julgamento, incluindo magistrados, promotores de Justiça, defensores públicos, advogado, oficiais de Justiça, sete jurados e suplentes, além de equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, profissionais de saúde de plantão, motoristas e equipes de apoio.
“É um júri com muitas peculiaridades, tanto pela dimensão quanto pela duração. Houve policiamento reforçado, equipe médica de plantão ininterruptamente, bombeiros militares presentes durante todo o período, ambulância à disposição, alimentação, além da logística de hospedagem e isolamento dos jurados, conforme prevê a legislação. Trata-se de um esforço coletivo e de um momento histórico para o Tribunal”, informou o TJAM.
O julgamento também incluiu ações para garantir maior racionalidade e evitar o desgaste excessivo dos jurados diante do elevado número de vítimas e de crimes. Entre as medidas, foram utilizadas placas de sinalização para manifestação das partes, uso de duas urnas de coleta de votos e quesitação parcialmente em bloco, com o acompanhamento da acusação e da defesa.
Este é o primeiro de 22 processos relacionados ao Massacre do Compaj, considerado o segundo maior massacre em presídio do Brasil, em número de vítimas, ficando atrás apenas do episódio do Carandiru. Os processos restantes deverão ser pautados pela 2ª Vara do Tribunal do Júri ao longo do ano de 2026.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Marcelo Camargo/ABr


