Líbano e Israel retomaram nesta terça-feira (4/8), em Roma, Itália, as negociações mediadas pelos EUA com o objetivo de avançar na implementação do acordo de segurança firmado no final de junho. A sétima rodada de conversações na capital italiana busca viabilizar a retirada gradual das tropas israelenses do sul do território libanês, além de transferir o controle dessas regiões evacuadas para o Exército do Líbano de forma progressiva.
Sob o patrocínio de Washington, a cúpula em Roma foca no aumento das chamadas “zonas-piloto”, áreas que deixam de ser ocupadas por Israel para dar lugar às forças armadas libanesas.
O embaixador norte-americano em Beirute, Michel Issa, destacou a delicadeza do processo ao advertir que o avanço deve ser cauteloso e estruturado, evitando acelerar etapas que possam colocar a população civil em risco antes da consolidação de garantias de segurança.
Apesar da redução na intensidade dos confrontos desde a assinatura do pré-acordo, o clima na região permanece tenso. As autoridades de Beirute seguem denunciando incursões e ataques esporádicos por parte das forças de defesa de Israel no sul do país.
Formalmente, os dois países continuam em estado de guerra, o que eleva a complexidade diplomática dos encontros reforçados pelo apelo do ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, por uma conduta construtiva dos dois lados.
O modelo operacional do acordo teve seu marco inicial em 21 de julho, quando as tropas libanesas assumiram o controle da localidade de Zawtar al-Gharbiya, a primeira área-piloto definida pela mediação internacional.
Essa etapa inicial possibilitou o regresso de centenas de moradores que haviam sido deslocados pelos violentos bombardeios e operações terrestres desencadeados após a abertura da frente de combate regional.
“Vergonha e concessões”
No entanto, o cumprimento integral das cláusulas esbarra no impasse em torno do desarmamento do Hezbollah, que rejeita veementemente as tratativas.
Em pronunciamento transmitido pela televisão nesta terça, o líder do movimento xiita, Naïm Kassem, declarou que o diálogo com Israel trará apenas “vergonha e concessões”, reafirmando que a organização não entregará seu arsenal militar e admitindo, de forma inédita, a abertura de interlocução com a nova liderança política da Síria.
Além de rejeitar o plano de paz, Kassem subiu o tom das críticas internas ao atacar diretamente o presidente do Líbano, Joseph Aoun. O líder do Hezbollah acusou o chefe de Estado de abandonar a neutralidade de seu cargo para alimentar divisões no país, enfraquecendo a posição do governo de Beirute no momento em que a comunidade internacional exige firmeza para a aplicação dos termos acordados.
A resistência inflexível do grupo apoiado pelo Irã coloca em xeque a estabilidade do cronograma proposto pelos Estados Unidos.
Como o Hezbollah é o principal ator armado que levou o país ao conflito direto com as forças israelenses, a recusa em desmobilizar suas milícias mantém o sul do Líbano sob constante incerteza, ameaçando o avanço do exército regular e a consolidação definitiva do cessar-fogo na fronteira.
Com informações do portal RFI.
Fonte: Metrópoles/Foto: Reprodução/ONU
