Tenente acusado de matar jovem pede acordo para extinguir punição

Publicado em

MANAUS – Acusado da morte da jovem Fernanda Rodrigues Pinheiro, que tinha 18 anos, em acidente de trânsito ocorrido em abril de 2023, o tenente do Exército Yan Danrlei Ferreira Rozendo pediu ao MP-AM (Ministério Público do Amazonas) para fazer um acordo de não persecução penal, uma espécie de negócio jurídico em que o investigado se compromete a cumprir cláusulas com objetivo de ser favorecido com a extinção da punibilidade.

No dia 19 de fevereiro deste ano, Yan se tornou réu pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, ambos na direção de veículo. O juiz Yuri Caminha Jorge, da Vara Especializada de Crimes de Trânsito, recebeu a denúncia do MP-AM (Ministério Público do Amazonas) contra o tenente e deu dez dias para ele se defender das acusações.

A defesa de Yan se manifestou no dia 1º deste mês e pediu audiência com objetivo de fazer o ANPP (Acordo de Não Persecução Penal). “[A defesa de Yan] requer a Vossa Excelência que abra vista ao D. Promotor para que oportunize o ANPP com designação de audiência designada para esta finalidade”, afirmou o advogado Roberto Jeferson Brasil Romano.

O acordo está previsto no artigo 28-A do CPP (Código de Processo Penal): “Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a quatro anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime”.

Roberto Romano afirmou que o tenente reúne as condições para firmar o acordo. “A tipificação do delito amolda-se perfeitamente nos casos de oferecimento de acordo de não persecução penal, uma vez que é plenamente cabível o ANPP, nos crimes culposos com resultado violento”, afirmou Romano.

“Nos delitos desta natureza, a conduta consiste na violação de um dever de cuidado objetivo por negligência, imperícia ou imprudência, cujo resultado é involuntário, não desejado e nem aceito pela agente, apesar de previsível”, completou o advogado.

De acordo com Roberto Romano, Yan é réu primário e sem maus antecedentes, 1º tenente do Exército Brasileiro, lotado no 4º Batalhão de Aviação do Exército, e recentemente se tornou pai de uma menina, nascida em fevereiro deste ano. Ele é o único provedor da família.

O crime

O acidente ocorreu no dia 14 de abril de 2023, no cruzamento das Avenidas Getúlio Vargas e Ramos Ferreira, no Centro Histórico de Manaus, por volta de 21h30.

Yan dirigia uma BMW na Avenida Getúlio Vargas, no sentido bairro/centro. Fernanda, que tinha acabado de chegar em Manaus, ia para a casa de uma prima no bairro Aparecida, zona sul de Manaus, em um veículo Ford Ka solicitado via aplicativo. O carro era conduzido por Edney Franklin Silva do Amaral, de 33 anos.

Uma perícia do Instituto de Criminalística concluiu que o tenente causou o acidente. Segundo o perito Wellington Souza Júnior, o carro de Yan trafegava em velocidade acima de 68 quilômetros por hora – o limite é 40 km/h – e isso “agravou as consequências do acidente”.

No cruzamento das avenidas, a BMW ultrapassou o sinal vermelho e atingiu a lateral traseira direita do Ford Ka. Fernanda e Edney foram arremessados para fora do veículo.

Fernanda morreu na hora. Edney foi levado para o Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, na zona leste de Manaus. Ele chegou com um quadro grave de saúde e foi intubado. O motorista ficou em coma por seis dias.

Para Wellington Souza Júnior, o acidente poderia ser evitado se não houvesse o “procedimento irregular” do tenente.

No dia do acidente, policiais militares conduziram Yan à sede do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para fazer teste de bafômetro. O exame deu negativo.

Os investigadores tentaram, mas não conseguiram imagens do local do acidente. O Centro Integrado de Analise de Imagens de Segurança Pública informou que não tem câmeras no local. A direção de uma academia localizada no canto entre as duas avenidas comunicou que não tem câmeras externas.

No fim do ano passado, a Uber do Brasil faz acordo para pagar R$ 100 mil à família de Fernanda e encerrar uma ação judicial na qual a família da jovem pedia indenização no mesmo valor e uma pensão de um salário mínimo.

O pagamento do valor foi proposto pela própria Uber e o acordo foi homologado pela juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, da 9ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Reprodução

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Pesquisa para Senado em SP aponta empate entre Tebet, Derrite e Marina

Três nomes aparecem tecnicamente empatados na disputa pelas duas...

Lei institui licença-paternidade para 20 dias, mas só a partir de 2029

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou...

Paraná Pesquisas: Lula é rejeitado por 47% dos eleitores e Flávio por 44%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é rejeitado por...

FGC responde ao GDF e avança com análise de empréstimo ao BRB

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) avança com a...