Nove dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, o paradeiro de venezuelanos deportados dos Estados Unidos no dia dos tremores, e enviados para a região mais afetada pela tragédia, segue incerto. Até o momento, o governo de Delcy Rodríguez não se pronunciou oficialmente sobre o desaparecimento dos 146 repatriados.
“É uma tristeza muito grande, não saber de nada, não saber a quem recorrer, não saber o que aconteceu com meu irmão”, diz Jacqueline Lamus, irmã de um dos deportados afetados pelos terremotos, em conversa com o Metrópoles.
Jhonattan Lamus deixou a Venezuela há alguns anos rumo aos Estados Unidos, com o objetivo de trabalhar e ajudar sua família. Ele fazia parte do grupo de 120 homens, 19 mulheres, 5 meninos e 2 meninas, que chegou à Venezuela no último dia 24 de junho, no voo 164.
Depois de desembarcarem no país, os repatriados foram encaminhados para o hotel Santuário La Llanada, localizado no epicentro da tragédia humanitária: o estado de La Guaira. O prédio foi um dos tantos que desabaram após os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5.
Os últimos registros dos venezuelanos foram publicados no perfil da Gran Misión Vuelta a la Patria (Grande Missão Volta à Pátria, em português). Criado pelo governo local, o programa oferece suporte para cidadãos que desejam retornar ao país, como transporte aéreo, assistência jurídica e socioeconômica.
Segundo Jacqueline, autoridades venezuelanas não têm dado qualquer tipo de informação ou assistência nas buscas pelos deportados que foram atingidos pelos desabamentos.
“Meu outro irmão foi para La Guaira em busca de Jhonattan, mas é impossível descobrir o paradeiro dele. O apoio que temos recebido é de amigos em Caracas, que foram aos necrotérios. Eles foram verificar corpo por corpo, mas simplesmente não conseguem encontrá-lo. As únicas informações que surgem são as que influenciadores postam no TikTok, coisas que são compartilhadas no Instagram, e tudo mais. Mas não há sinal dele”, revela a venezuelana.
Números da tragédia
- O governo da Venezuela já contabilizou 2.595 mil mortes provocadas pelos dois terremotos que atingiram o país no último mês;
- Até o último balanço divulgado por autoridades venezuelanas, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas;
- Estimativas iniciais apontam que 26.403 mil pessoas foram atingidas pelos tremores, entre feridos e aqueles que tiveram suas vidas abaladas de alguma forma;
- As regiões mais afetadas estão localizadas no estado de La Guaira, no norte da Venezuela. A capital Caracas também enfrentou problemas;
- De acordo com o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, 855 prédios foram danificados pelos terremotos, sendo que 189 acabaram destruídos completamente.
- A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), porém, afirma que quase 60 mil edifícios podem ter sido prejudicados pelos abalos.
Busca nas redes sociais
Na publicação que anunciou o retorno dos deportados dos EUA, o programa venezuelano de assistência aos repatriados escreveu que aquele dia marcava o início de uma “nova etapa em sua pátria amada” para o grupo de 146 venezuelanos.
Horas depois, porém, o post se transformou em um local onde familiares e amigos passaram a implorar por informações sobre os desaparecidos.
“Por favor, necessitamos de informações sobre as pessoas que chegaram nesse voo. Por favor, como familiares estamos desesperados! Necessitamos saber como eles estão”, escreveu uma mulher, identificada como Jenifer Larrazbal, nos comentários da publicação que anunciou o retorno dos deportados.
A Grande Missão Volta à Pátria respondeu a maioria dos comentários com contatos telefônicos e um endereço de e-mail para onde as solicitações deveriam ser encaminhadas.
O Metrópoles entrou em contato com o programa por meio dos números informados e questionou sobre o estado dos repatriados desaparecidos em La Guaira. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte: Metrópoles/Foto: Terremotos na Venezuela: famílias de deportados desaparecidos cobram respostas
