A suspensão de fabricação, venda, distribuição e uso de alguns produtos da marca Ypê acendeu o alerta sobre a bactéria Pseudomonas aeruginosa. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quinta-feira (7/5) após avaliação técnica que identificou falhas graves nas Boas Práticas de Fabricação da Química Amparo, responsável pela marca. A decisão atinge produtos de lotes com numeração final 1.
A bactéria foi detectada em novembro de 2025 durante uma análise interna da empresa em alguns lotes específicos de lava-roupas líquidos. A fabricante anunciou um recolhimento voluntário dos produtos e divulgou orientações específicas para pessoas imunossuprimidas, cuidadores e profissionais de saúde.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada naturalmente no ambiente, especialmente no solo e na água. Para a maior parte das pessoas saudáveis, o contato eventual com o patógeno não costuma representar risco importante.
O problema é que ela é considerada um microrganismo oportunista: aproveita situações em que o organismo das pessoas estão mais vulneráveis para causar ou agravar infecções.
Pessoas imunossuprimidas, ou seja, com o sistema imunológico comprometido, devem ficar atentas, pois a bactéria pode causar infecção no sangue, nos pulmões, no trato urinário e em outras partes do corpo, especialmente após cirurgias ou em pessoas hospitalizadas.
Os grupos de risco são: pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas que usam medicamentos imunossupressores, pacientes com doenças crônicas graves, pessoas com feridas abertas, queimaduras ou dispositivos médicos, como cateteres e ventilação mecânica.
No caso dos produtos Ypê, a própria empresa afirma que a probabilidade de impacto para a segurança dos consumidores é mínima. No entanto, a fabricante reforça que pessoas imunossuprimidas devem evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, principalmente se houver feridas abertas.
O perigo está na infecção
A bactéria não causa doença apenas por estar presente no produto. Para que haja risco, é preciso que ela encontre uma porta de entrada no organismo, como feridas, mucosas, queimaduras ou dispositivos médicos. Entre as possíveis manifestações, estão infecções de pele, pneumonia, infecção urinária e infecção na corrente sanguínea.
O risco é maior quando há exposição prolongada, contato com feridas ou condições clínicas que reduzem a capacidade de defesa do organismo.
Outro ponto que preocupa especialistas é a resistência a antibióticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui a Pseudomonas aeruginosa entre os patógenos bacterianos relevantes à resistência antimicrobiana.
Segundo o comunicado da empresa, não há risco inalatório relevante associado ao uso do sabão. A Pseudomonas aeruginosa não se volatiliza, não é carregada pelo perfume do produto e não se dispersa pelo ar durante o uso doméstico ou durante a lavagem das roupas.
Mesmo para pessoas imunossuprimidas, a fabricante afirma que não há risco de infecção por inalação no cenário doméstico.
Além disso, a empresa informa que o processo de lavagem reduz drasticamente a carga bacteriana, e o tecido seco não é um meio favorável para a sobrevivência da bactéria.
Como medida de precaução, a recomendação para pessoas imunossuprimidas é garantir que as roupas estejam bem enxaguadas e completamente secas antes do uso, além de seguir as instruções de uso presentes no rótulo.
Em nota, a Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor.
A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível.
A Ypê reafirma seu compromisso com a qualidade, a segurança e a transparência e permanece à disposição da autoridade sanitária, da imprensa e dos consumidores para quaisquer esclarecimentos.
Em caso de dúvidas adicionais, os consumidores podem entrar em contato via canais oficiais de atendimento: sac@ype.ind.br ou pelo telefone 0800 1300 544.
Fonte: Metrópoles/Foto: Divulgação/Ypê
