Professores realizaram hoje (30) um ato organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) cobrando que o Governo do Amazonas pague a data-base dos anos 2022 e 2023, o reajuste da defasagem salarial na ordem de 25% e os retroativos dos anos 2020 e 2021.
O Sinteam adiantou que existe um calendário de movimentação da categoria prevista para os próximos dias caso as negociações com o executivo Estadual não ocorram. Para o dia 5 de abril está programada a paralisação na rede estadual de ensino caso não haja negociações com o executivo Estadual.
Durante o ato os docentes também cobraram o pagamento das progressões por titularidade e por tempo de serviço, auxílio localidade e ganhos em real acima da inflação. Segundo a organização do ato, os professores do interior do Amazonas também irão realizar mobilizações. O vice-presidente do Sinteam, Cleber Ferreira, detalha que a categoria está em manifestação em prol da campanha salarial numa tentativa de negociação com o Governo do Amazonas.
“Nós temos um plano de cargos e carreiras que institui por lei uma série de medidas dentre elas o reajuste salarial. Ou seja, no dia 1º de março, nos chamamos de database, os trabalhadores da educação tem o direito de no mínimo ter o reajuste salarial. Nos últimos dois anos não tivemos o reajuste e o último (em 2021) foi pago sem os retroativos dos anos 2020 e 2021. O Governo pagou apenas 9% em janeiro de 2022. Existe um atraso que precisa ser quitado. ”, declarou Ferreira.
Conforme Cléber, o Sinteam já iniciou o diálogo com o Governo do Amazonas, intermediado pela Comissão da Educação da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde foi apresentado o plano de pauta pelos 25%. O ato aguarda há 20 dias o retorno do executivo Estadual para negociações.
“Nós já entregamos nosso plano de pauta com os 25%, referente aos dois anos do atrasado do reajuste que foi dado, as duas últimas databases e a possibilidade de ganho real. A campanha salarial não é somente econômica, mas existem também as questões de merenda escolar, as horas de aula pedagógica, salas lotadas são pontos que tentamos dialogar”, detalhou Ferreira.
Posicionamento
Em nota o Secretaria de Estado de Educação (Seduc-Am) informou que o reajuste salarial referente a data-base de 2022 está em estudo de impacto orçamentário. “A Seduc-Am destaca que sempre tem buscado manter uma relação de respeito e harmonia com as entidades representantes dos profissionais da educação”.
Novo Ensino Médio
Durante a manifestação não faltaram críticas ao novo Ensino Médio, instituído pela Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Dentre as alterações estão o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para um mil horas anuais (até 2022) e definindo uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Segundo o Ministério da Educação (MEC), a mudança tem como objetivo garantir a oferta de educação de qualidade e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes.
Presente no ato, o professor Eudes Melo, criticou o novo ensino médio. Do ponto de vista dele é prejudicial para os alunos e gera uma sobrecarga nos professores. “Esse novo modelo aumentou o número de evasão escolar. Essa ideia de atrair os alunos é falsa. Os alunos não se sentem atraídos pelas disciplinas. O novo ensino médio está gerando uma sobrecarga sobre-humana muito grande para os professores. Estão dando aula em disciplinas fora da própria formação pedagógica. Muitos professores terão que ministrar mais de cinco disciplinas pra completar a carga-horária”, frisou.
A concentração começou por volta das 16h, na Praça Heliodoro Balbi, na Avenida Sete de Setembro, bairro Centro. Logo o grupo de professores saíram em passeata até a Praça da Matriz, situada no Centro Histórico de Manaus, na zona Centro-Sul, onde revezavam as falas. Segundo a organização da mobilização, aproximadamente, mil professores participaram do ato, encerrado pontualmente às 18h.
*A crítica




