Diretamente da periferia de Juiz de Fora para diferentes palcos do Brasil: Gabriel Fagundes é um daqueles jovens cheios de garra que se aventuraram por um mundo nada fácil para seguir os maiores sonhos que alguém pode ter – ser dançarino de balé.
Ele ainda era criança e morador do Bairro Santa Cruz, na Zona Norte da cidade, quando começou a dar os primeiros saltos rumo a uma carreira como dançarino.
“Sempre gostei muito da dança, da arte, porque sempre ia na igreja. Via o pessoal dançando o hino de louvor, encenações da Paixão de Cristo ou algo de Natal. Sempre me interessei em participar”, contou Gabriel.

O interesse se tornou concreto aos 11 anos, quando Gabriel pisou pela primeira vez em um palco de teatro em uma escola pública do bairro. Cerca de um ano e meio depois, foi a vez dele se arriscar na ginástica olímpica, por onde ficou três anos.
Chegou então a mais nova fase da vida dele: a paixão pelo balé. Ela veio após Gabriel assistir vídeos de coreografias e ver a filha da patroa da mãe dele dançando em uma escola. Lá, ele fez um teste e conseguiu ganhar uma bolsa de estudos.
O sonho começou a se tornar realidade em pouco tempo, entre 5 e 6 meses, quando ele pela primeira vez teve interesse em participar de uma competição e conseguiu um ótimo 2º lugar. Então, pegou gosto pelas disputas
Sempre estava indo em competições, fazendo aula todos os dias, ensaiando todos os dias também. Tudo isso para ter um rendimento, nota e resultado legais no final.
— Gabriel Fagundes
Participar de outras grandes disputas e ficar no pódio delas, fez Gabriel saber que essa era a profissão que queria.
Dançando sobre pedras no caminho

Após o pico da pandemia do Covid-19, que fez ele parar os espetáculos e competições, o dançarino se mudou para Vitória (ES), onde enfrentou alguns dos melhores e mais desafiadores dias.
Ele conseguiu vencer torneios, ser destaque em várias deles, dançar inclusive no mesmo palco que Ana Paula Botafogo e Carlinhos de Jesus, grandes nomes da modalidade.
Mas também perdeu algumas oportunidades por dificuldades financeiras como viajar para a Bahia onde teria aulas com nomes consagrados da área.
Dez meses depois de sair de Juiz de Fora, o bom filho retornou para casa com uma imensa bagagem que lhe ajudou a vencer mais uma competição na cidade.
Contudo tanta dedicação e talento ainda não eram suficientes para sustentar ele, realidade dura vivida por diversos artistas. Porém, o que surpreende é como Gabriel contornou a situação.
“Trabalhei como servente de pedreiro por uns 3 a 4 meses porque eu tinha que ter uma renda para fazer o balé – tem muitos gastos com sapatilha, figurino, inscrições de festival… infelizmente não tenho um patrocinador e minha família não tem condições de ajudar sempre”, detalhou.

A garra dele e o apoio da mãe foram cruciais: “Tudo que a minha mãe pode me ajudar ela sempre faz, minha família também inteira. Mas minha mãe é o meu porto seguro”. Gabriel não pensou em desistir e com isso novos ares chegaram.
A retomada

Em novembro, ele se apresentou em palestra do MV Bill no Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora. Para a semana seguinte teve na agenda uma coreografia em um espetáculo que foi convidado a participar como uma das atrações principais.
Os próximos passos são imprevisíveis: quem sabe se tornar professor, concorrer em outras grandes competições e até mesmo projetos sociais.
“Ano que vem pretendo estar fazendo mais aulas para que possa fazer audições, participar de competições dentro e fora do Brasil também. Tem oito anos que eu faço balé clássico”, concluiu.
*g1 / Foto: Gabriel Fagundes/Arquivo pessoal


