O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, preso por suspeita de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, presta depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira (3). O delegado será ouvido na Penitenciária Federal de Brasília, onde está preso de forma preventiva por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).
O depoimento de Rivaldo será coletado após ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) entregou ao ministro as denúncias contra Rivaldo e outros supostos mandantes do crime, como os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão. Os três foram denunciados pelos seguintes crimes:
• homicídio triplamente qualificado praticado em concurso de pessoas contra Marielle;
• homicídio quadruplamente qualificado praticado em concurso de pessoas contra o motorista de Marielle, Anderson Gomes;
• tentativa de homicídio quadruplamente qualificado praticado em concurso de pessoas contra a assessora de Marielle, Fernanda Gonçalves Chaves
• tentativa de homicídio quadruplamente qualificado praticado em concurso de pessoas contra a assessora de Marielle, Fernanda Gonçalves Chaves
Segundo ele, o delegado não conhecia os irmãos Brazão e os encontrou pela primeira vez dentro do avião que os trouxe a Brasília no dia em que foram presos, em 24 de março deste ano.
“A defesa não queria ser surpreendida dentro do processo com uma notícia contrária. Então, a gente exauriu com o Rivaldo todas as possibilidades de que ele tivesse qualquer tipo de vínculo com o Chiquinho ou com o Domingos, ou com qualquer outro membro da família. A gente questionou isso de forma exauriente para não ser surpreendido, e realmente não foi.”
A Polícia Federal afirma que Rivaldo tentou obstruir as investigações e “foi o responsável por ter o controle do domínio final do fato [assassinato de Marielle], ao ter total ingerência sobre as mazelas inerentes à marcha da execução, sobretudo, com a imposição de condições e exigências”.
A denúncia da PGR entregue ao STF diz que o ex-chefe da Polícia Civil do RJ “concorreu para as infrações, empregando a autoridade do cargo de chefia que então ocupava na estrutura da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, para oferecer a garantia necessária aos autores intelectuais do crime de que todos permaneceriam impunes”.
O advogado Marcelo Ferreira, que também defende o delegado, contesta as afirmações. “Rivaldo foi preso e denunciado sem ter sido ouvido. Em momento algum ele interferiu nas investigações da Polícia Civil. Ele era o chefe da Polícia, estava na cúpula. Não tinha a menor condição de estar fazendo gestão de um inquérito lá embaixo.”
*R7/Foto: (FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL – 13.12.2018)




