Por unanimidade, STF mantém suspensão de emendas impositivas

Publicado em

Com placar unânime, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) referendararam, nesta sexta-feira (16/8), a decisão liminar monocrática de Flávio Dino que suspendeu o pagamento das emendas impositivas, nas quais se inserem as chamadas “emendas Pix”.

O placar de 11 votos a favor foi concluído na tarde desta sexta. A votação no plenário virtual da corte foi aberta no primeiro minuto desta sexta com a manifestação de Flávio Dino, relator da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) nº 7697 e autor da liminar que vetou os pagamentos.

Embora os 10 ministros tenham acompanhado Dino, um dos últimos a se manifestar, Nunes Marques, o fez, mas com ressalvas. Ele mencionou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) fazem controle “a contento”. O mérito da questão ainda não foi apreciado pelos ministros.

Outro ministro que apresentou observação ao votar foi André Mendonça, o segundo a se manifestar, ainda na madrugada. Ele se posicionou, mas lembrou estarem em curso “diálogos institucionais” com o intuito de se chegar a um consenso a respeito da questão. Marques e Mendonça são os únicos ministros da Corte que foram indicados pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).

Crítica

Com a deliberação dos 11 integrantes da corte, a decisão de Dino deixa de ser monocrática e passa a ter o amplo apoio dos colegas. O fato de a decisão ser monocrática foi uma das críticas apresentadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

As proibições vieram em dois momentos: na semana passada, Dino suspendeu as “emendas Pix”. Já, nesta semana, ele decidiu ampliar a restrição para todas as emendas parlamentares impositivas.

As “emendas Pix“, especificamente, são recursos públicos que os parlamentares têm o poder direcionar para Estados e municípios. As demais emendas funcionam de maneira parecida e servem para que repasses indicados pelos deputados e senadores cheguem às suas bases eleitorais.

O impedimento por parte de Dino para a continuidade dos repasses tem como motivo a falta de transparência nessas transações. A grande maioria delas não tem informação de quem envio nem uma destinação específica, o que inviabiliza a atuação dos órgãos de fiscalização e controle.

Desde que Dino acatou o pedido liminar, o Legislativo, que é contra à medida, tem reagido. Recursos que iriam para o Judiciário brasileiro foram vetados por uma comissão da Câmara dos Deputados. Em um dia de tensão entre os poderes, Lira fez andar a tramitação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que restringem poderes dos ministros do STF.

Foto:Igo Estrela/*Metrópoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

“Aval da União está fora da mesa”, diz Durigan sobre socorro ao BRB

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta sexta-feira (19/6),...

Chanceler italiano não viajará aos EUA após fala de Trump sobre Meloni

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani,...

Brasil tem 25,2 milhões de apostadores em bets ilegais; 1 em cada 4 joga todo dia

Dados divulgados pelo Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (19/6) apontam...

Óleo de peixe não previne declínio ligado ao Alzheimer, mostra estudo

Óleo de peixe é um dos suplementos mais consumidos...