Tesouro Direto tem maior onda de resgates em cinco anos. Por quê?

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A retirada de dinheiro antes do prazo de vencimento dos contratos no Tesouro Direto disparou em 2024. O volume de resgates, de quase R$ 37 bilhões, representa uma alta de 22% em relação ao registrado em 2023. Essa é a maior variação anual desde 2019, quando a alta foi de 43,3%.

  • Os dados são do Ministério da Fazenda, disponíveis no Portal de Dados Abertos do governo federal. De acordo com os números, os títulos do Tesouro Prefixados foram os que mais sofreram baixa no período (39,1%); seguido do Tesouro IPCA+ (22,1%); e Selic (20,3%) completando o ranking.

O dia com mais resgate aconteceu em 30 de outubro de 2024, quando os investidores tiraram quase R$ 25 milhões do Tesouro Prefixado 2025. Nesta sessão, os retornos da modalidade, que hoje pagam quase 16%, ainda se aproximavam dos 13%. No pano de fundo, as mesma dúvidas em relação ao futuro das contas públicas e do do vai-da-valsa nos Estados Unidos que, ainda hoje, jogam projeções de inflação e juros para cima no Brasil.

Como o Tesouro Direto é ligado ao governo, os rendimentos estão diretamente ligados a esses fatores. Os recursos obtidos com o Tesouro Direto são utilizados para contribuir com o pagamento da dívida pública federal.

Por que os prefixados foram os mais resgatados?

O título público prefixado tem sido visto com certa cautela pelos especialistas. Isso porque, como a projeção é de mais juros, pode ser que as taxas atuais oferecidas pelo Tesouro Prefixado, em algum momento, sejam inferiores à taxa básica de juros, o que não seria interessante para o investidor.

A aposta de alguns analistas é de que alguns agentes podem ter trocado os rendimentos do programa por outros ativos da renda fixa, como um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de bancos, por exemplo. A depender do emissor, outro investimento pode oferecer mais do que o patamar atual dos prefixados, hoje em torno dos 15% ao ano.

No caso do Tesouro IPCA+, os recursos retirados antes do prazo de vencimento pode ser explicada pela baixa que a modalidade acumula em 12 meses.

Em dezembro do ano passado, o papel com vencimento em 2045 encerrou o período com prejuízo de mais de 20%. Outra hipótese levantada pelo economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, é que os retornos em disparada levaram a um rendimento interessante para os investidores ao longo do tempo. Assim, teria valido a pena retirar o dinheiro mesmo antes do vencimento para reinvestir.

Na avaliação dele, em um ano com taxa de juros elevada e excesso de volatilidade, o investidor que optou por ativos de baixo risco são os que menos amargam perdas agora. “Se foi um ano difícil para um investimento tão seguro como o Tesouro, imagina para outras opções mais arriscadas”.

E segue o clima de desconfiança entre investidores… A ver o que 2025 proverá.

Fonte: Valor Investe/Foto: Google

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