Shein tenta limpar imagem e compra marca sustentável Everlane

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Nesta semana, uma notícia surpreendeu o mercado global da moda. A gigante chinesa Shein anunciou a compra da varejista norte-americana Everlane por cerca de US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 500 milhões. O que despertou estranhamento, no entanto, foi que a marca comprada tem como princípios a sustentabilidade, o consumo consciente e a transparência na cadeia produtiva, e aceitou a negociação com uma empresa que é, atualmente, a mais poluidora de seu setor.

Vem entender!

shein compra everlane - metrópoles

Marca se posiciona como “clean luxury”

 

Contradições

Em seu site, a Everlane destaca sua forma de agir: “qualidade excepcional, fábricas éticas, transparência total”. Nas redes sociais, é possível encontrar publicações que falam sobre a importância de se usar matéria-prima orgânica e também anúncios de campanhas para restaurar recursos naturais usados na produção da loja, como o cashmere.

Nas lojas, quadros deixam explícita a origem dos materiais, o impacto no meio ambiente e até mesmo o custo de produção de cada uma das peças vendidas. A contradição vem, entretanto, no momento em que a Everlane aceita a negociação com a Shein.

A companhia chinesa é, atualmente, responsável pela maior parte da poluição proveniente da indústria da moda em todo o mundo. Dados de uma pesquisa realizada pelo Business of Fashion revelam que a pegada de carbono da empresa cresceu 170% de 2021 a 2023. Já de acordo com a Forbes, mais de 99% das emissões vêm da cadeia produtiva, incluindo produção de tecidos, tingimentos, matérias-primas e logística.

Repercussão

Nas redes sociais da Everlane, é possível encontrar diversos comentários de clientes da marca sobre a compra pela Shein. “Nosso planeta merece algo melhor do que os lucros que seus investidores obtiveram com essa transação”, disse um usuário.

Outro, destacou que “a escolha era essa ou ir à falência, o que, sinceramente, teria sido mais honroso”. “A Everlane acabou de destruir toda a sua base de clientes”, acredita um cliente. Já outro afirma: “Prova de que não existe consumo ético no capitalismo”.

Histórico

A Everlane foi uma das marcas queridinhas da geração Millenial na década de 2010. O que conquistou a base de clientes foi o conceito de “luxo discreto” alinhado com metas ambientais que envolviam a redução das emissões de gases de efeito estufa por produto até 2030; o uso de algodão orgânico; e a promessa de eliminar da produção químicos considerados nocivos.

A empresa, fundada por Michael Preysman em São Francisco, nos Estados Unidos, possuía dívidas no valor de US$ 90 milhões, de acordo com o site Puck News. Com isso, tentou uma nova estratégia: a de “clean luxury”, ou “luxo limpo”, que não foi o suficiente para recuperar o prestígio e nem o crescimento econômico.

 

*Metrópoles/Foto; Reprodução 

 

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