De olho na campanha de reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apostado em medidas populares para melhorar os índices de aprovação do governo às vésperas da disputa eleitoral.
Levantamento do Metrópoles aponta que somente em 2026 o “pacote de bondades” soma R$ 191,4 bilhões, com ações de alcançam desde a população de baixa renda à classe média e empresários.
A última iniciativa foi anunciada nessa sexta-feira (12/6), com o lançamento de uma linha de crédito voltada ao financiamento de motos para entregadores de aplicativo e celetistas. A medida vinha sendo desenhada desde o ano passado, mas ficou travada em meio à resistência das instituições financeiras.
O crédito poderá ser utilizado para a aquisição de bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, montados ou produzidos no Brasil. Inicialmente, o montante previsto é de R$ 2,5 bilhões em recursos oriundos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS).
A medida se soma a outras duas linhas de crédito lançadas beneficiar trabalhadores da área de mobilidade: uma no valor de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas, e outra para caminhoneiros e motoristas de ônibus, cujo montante é de R$ 21,2 bilhões.
Economia
Outras ações foram pensadas com o objetivo de melhorar a percepção da população sobre a economia. Em diversas ocasiões, Lula manifestou preocupação que as ações do governo e os bons índices econômicos não refletiam na avaliação.
Diante desse cenário, o Planalto lançou o Novo Desenrola Brasil, ou Desenrola 2.0, uma reedição do programa lançado em 2023, que oferece condições para renegociação de dívidas para quem recebe até cinco salários mínimos.
A iniciativa prevê a reserva de R$ 5 bilhões do Fundo de Garantia de Operações (FGO) como garantia para refinanciamentos. Outros R$ 8,2 bilhões são referentes a recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que podem ser utilizados para quitar dívidas de famílias inadimplentes.
Novo Desenrola
- No primeiro mês de programa, o Desenrola 2.0 atendeu a cerca de 1,4 milhão de pessoas, de acordo com balanço divulgado pela Casa Civil.
- Ainda segundo o órgão, o montante renegociado alcançou R$ 20 bilhões nesse período.
- A duração do programa é de 90 dias e deve se estender até 2 de agosto.
- Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o endividamento das famílias chegou a 81,6% em maio.
- O governo ainda estuda lançar uma nova fase do Desenrola voltada a cidadãos que estão endividados, mas pagam as contas em dia.
O pacote de reeleição de Lula contempla ainda crédito para empresas que tiveram prejuízos por conta das tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos, por meio do Plano Brasil Soberano; ações na área de habitação, com a ampliação do Minha Casa, Minha Vida; incentivos para tentar conter os efeitos da guerra sobre o preço de combustíveis; e o pacote para endurecer o combate ao crime organizado.
O levantamento da reportagem considerou apenas ações lançadas ou que passaram a valer em 2026, ano eleitoral.
Meta fiscal
O governo afirma que, mesmo diante do volume das ações, a meta fiscal de 2026 será cumprida. Parte das medidas, como no caso da isenção do Imposto de Renda e as subvenções aos combustíveis, devem ter as despesas neutralizada pelo aumento de arrecadação em outras frentes.
Para cumprir a meta prevista no Arcabouço Fiscal para 2026, o governo federal precisa de um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, mas, com a tolerância existente na legislação, o valor pode ser desde zero a superávit de R$ 68,6 bilhões.
Fonte: Metrópoles/Foto: Ricardo Stuckert/PR




