Polícia finaliza inquérito e conclui que pai não teve a intenção de matar filho ferido com faca no interior do AM

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A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu o inquérito sobre a morte de Raelyson da Silva, de 6 anos, e alterou a acusação contra o pai do menino de homicídio doloso para maus-tratos com resultado morte após entender que o suspeito não teve a intenção de matar o filho. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público no sábado (1º).

O crime ocorreu no dia 18 de julho, no município de Itapiranga, no interior do estado, e o suspeito Reulist Valente Miranda, de 24 anos, segue preso.

De acordo com o titular da 38ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), delegado Aldiney Nogueira, a reclassificação ocorreu após a análise detalhada de depoimentos, vídeos e demais provas reunidas ao longo das diligências.

“Nossa conclusão foi de que não ocorreu o crime de homicídio doloso qualificado, crime pelo qual ele foi autuado no dia da prisão em flagrante. As investigações, todo o contexto, análise de vídeo e depoimentos nos permitiram concluir que o crime praticado foi o de maus-tratos, porém na sua forma qualificada pelo resultado morte”, afirmou o delegado.

 

Segundo o relatório da apuração policial, a morte da criança ocorreu durante um ato de agressão praticado pelo pai como forma de punição disciplinar. O homem arremessou contra o filho uma mochila que continha duas facas em seu interior, ferramentas que haviam sido utilizadas em uma pescaria no dia anterior. Uma das lâminas perfurou as costas do menino.

A Polícia Civil descartou a hipótese de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), sustentando que a conduta se enquadrou em um contexto violento de correção excessiva.

“Entendemos que o crime se deu num contexto de maus-tratos. O pai, que tinha o dever de guardar e zelar pela integridade física do filho, acabou sendo o autor da morte ao exagerar nos meios de correção. Ele foi totalmente imprudente ao manter as facas dentro da mochila”, destacou Aldiney Nogueira.

Relembre o caso

 

No dia 18 de julho, Raelyson da Silva deu entrada em uma unidade hospitalar de Itapiranga com uma perfuração grave nas costas. Devido à gravidade do ferimento, a equipe médica acionou a Polícia Militar.

Inicialmente, Reulist afirmou aos policiais que o filho havia caído acidentalmente sobre uma faca. Posteriormente, em depoimento à Polícia Civil, ele admitiu ter arremessado a mochila para punir o menino por desobediência, alegando não se lembrar de que as facas de pescaria estavam guardadas na bolsa.

Durante audiência de custódia realizada no dia 19 de julho, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Reulist em prisão preventiva. Na ocasião, apurou-se que o suspeito estava sob efeito de álcool e outras substâncias no momento do ocorrido.

Com a conclusão do inquérito encaminhado pela 38ª DIP, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) analisará as provas apresentadas para decidir se oferece a denúncia formal à Justiça sob o novo enquadramento jurídico. O investigado permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário.

*G1/AM*Foto:  Reprodução/Redes Sociais

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