‘IA vai cortar pela metade o custo de novos remédios’, diz executivo de laboratório que desenvolve drogas contra doenças como Alzheimer

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A inteligência artificial (IA) poderá reduzir pela metade o tempo necessário para desenvolver novos medicamentos e já é aplicada nesse sentido pela farmacêutica dinamarquesa Lundbeck, dedicada a males do cérebro como depressão e ansiedade.

É o que diz, em entrevista ao GLOBO, o presidente da filial brasileira, Josiel Florenzano.

As etapas repetitivas e até os ensaios clínicos devem ficar mais rápidos e baratos, levando a medicamentos mais acessíveis ao consumidor, prevê o executivo, que está há 40 anos no setor e passou por outras farmacêuticas, como Aché e Novartis.

A empresa não abre números por país, mas ele diz que o Brasil segue a tendência mundial pós-pandemia de aumento nas vendas de medicamentos psiquiátricos. O carro-chefe da companhia, única no mundo dedicada somente a tratamentos para o sistema nervoso central, são antidepressivos, todos importados da Europa.

A empresa, no entanto, realiza estudos clínicos de novos medicamentos no Brasil em parceria com instituições de pesquisas locais. O grupo dinamarquês centenário acaba de completar 25 anos no país. Destina 20% do faturamento global ao desenvolvimento de novas drogas — o equivalente a R$ 4 bilhões em 2025 — e tem investido mais agora na frente neurológica, na trilha do aumento da longevidade.

Florenzano está otimista com os avanços do setor, principalmente em relação à chegada ao mercado em pouco tempo de novos remédios para epilepsias raras e as doenças de Parkinson e Alzheimer. Aos 64 anos, ele dirige a Lundbeck Brasil no Rio desde a década passada e atribui sua energia para continuar na ativa à curiosidade constante. Ele aprendeu inglês aos 40 anos para migrar da área comercial para a executiva e se diz interessado no momento em leituras sobre as possibilidades da IA.

No escritório brasileiro, o CEO busca uma relação próxima dos 120 funcionários. Faz questão de ligar para cada um de seu celular na manhã de seus aniversários. Numa empresa que desenvolve soluções para aliviar pacientes com males mentais, o executivo diz ficar atento a iniciativas que possam evitar que seus subordinados precisem usar os antidepressivos ou ansiolíticos que a companha fabrica.

Qual é a importância do Brasil para a Lundbeck?

A Lundbeck tem mais de 100 anos. No Brasil, somos jovens ainda, mas, no nosso ranking global, o país tem ficado entre o oitavo e o nono mais importantes. De cada dez pacientes que tomam antidepressivo no Brasil, três usam um produto da Lundbeck ou (genérico) que tem origem em pesquisa da companhia.

Ou seja, quase um terço dos pacientes que tratam depressão no país tem a pesquisa da Lundbeck por trás. Há outras empresas que também trabalham com o sistema nervoso central, mas a Lundbeck é a única que se dedica 100% a isso. Todos os nossos investimentos e pesquisas estão relacionados a doenças mentais.

Esse é um mercado crescente? Há diferença no Brasil em relação ao mundo?

Percebemos nos anos após a pandemia um aumento significativo do uso desse tipo de medicação. O Brasil seguiu essa tendência global. Com o confinamento em casa, o desemprego, a perda de um ente querido, ficar num ambiente totalmente isolado, fechado do mundo, o medo de morrer, todas essas questões somadas geraram um aumento de doenças da mente, principalmente ansiedade, que, maltratada, pode virar uma depressão.

Houve uma mudança na cultura e na educação sobre essa área, o que tem aumentado não exatamente o índice de doentes, mas de diagnósticos. E, consequentemente, as pessoas estão mais tratadas.

Fonte: O Globo/Foto: Divulgação/Lundbeck

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