Acidente fluvial em meio à seca fez hospital do interior perder 16 cilindros de oxigênio; caso é citado em decreto de emergência no AM

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O naufrágio de uma embarcação em setembro provocou a perda de 16 cilindros de oxigênio medicinal destinados à Unidade Hospitalar Vó Mundoca, em Borba, no interior do Amazonas. O caso é uma das ocorrências que ajudam a explicar os problemas de abastecimento de materiais de saúde citados pelo governo estadual no decreto que declarou emergência em saúde pública por 180 dias.

Publicado na segunda-feira (26), o decreto considera os impactos da estiagem severa, das queimadas e das dificuldades de transporte no estado. O documento cita acidentes fluviais em Borba, Itamarati e Eirunepé, que provocaram perdas ou comprometeram cargas de medicamentos, insumos e produtos hospitalares.

O acidente envolveu a embarcação Almirante Moreira, que naufragou em 24 de setembro, durante o trajeto entre Manaus e Borba.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), os 16 cilindros perdidos seriam utilizados no atendimento da Unidade Hospitalar Vó Mundoca, inclusive em casos de urgência e emergência e no tratamento de pacientes internados.

A SES-AM informou ainda que o transporte desses materiais é de responsabilidade das administrações municipais. A pasta afirmou, porém, que presta suporte sempre que solicitada.

Estiagem deixou 562 comunidades isoladas

O decreto de emergência em saúde pública terá duração de 180 dias. Segundo o documento, um levantamento preliminar da Defesa Civil estadual identificou 562 comunidades isoladas pela seca dos rios.

A redução dos níveis dos rios dificulta o deslocamento de moradores e o transporte de pacientes, medicamentos e oxigênio medicinal. O cenário aumenta os desafios para manter o atendimento nas localidades mais distantes.

O governo também identificou 19 processos administrativos relacionados a pedidos de medicamentos, insumos, equipamentos, oxigênio medicinal e apoio logístico feitos por municípios.

A SES-AM ficará responsável por coordenar as medidas em conjunto com a Defesa Civil, as prefeituras e outros órgãos estaduais e federais. A secretaria deverá reunir informações sobre as localidades afetadas, as perdas registradas e a capacidade de funcionamento dos serviços de saúde para orientar as ações de resposta.

Situação da estiagem no Amazonas

 

O Amazonas tem 47 municípios em situação de emergência por causa da estiagem, segundo boletim divulgado pelo governo estadual na noite de quarta-feira (28). Outros 11 municípios estão em alerta e quatro em situação de atenção. Ao todo, 124.221 famílias foram afetadas pela seca dos rios, de acordo com a Defesa Civil.

O levantamento também apontou que Parintins entrou em nível severo (concentrações de MP2,5 superiores a 125 µg/m³ em 24h) por conta da péssima qualidade do ar na manhã desta quinta-feira.

Além disso, foi emitido alerta de nível Alta (concentrações de MP2,5 entre 50 e 125 µg/m³ em 24h) para os municípios de Autazes, Barreirinha, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Maués, Nova Olinda do Norte, Novo Aripuanã, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.

Ações de combate à estiagem e às queimadas

 

O governo estadual enviou mais de 13 toneladas de alimentos para Anamã e Rio Preto da Eva na terça-feira (27). Os dois municípios receberam, juntos, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água de 500 litros.

Com as entregas, a primeira fase da Operação Estiagem 2026 passou a atender 15 municípios. Ao todo, foram distribuídas 4.800 cestas básicas, equivalentes a cerca de 96 toneladas de alimentos, além de 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas-d’água de 500 litros.

A operação também inclui três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água. Segundo o governo, as entregas continuarão conforme as condições dos rios e as necessidades das cidades.

Acidentes também causaram perdas em Itamarati e Eirunepé

 

Em Itamarati, um acidente com embarcação registrado em 21 de agosto de 2026 provocou a perda de medicamentos e materiais destinados à Atenção Primária à Saúde e ao hospital municipal.

Já em Eirunepé, uma carga transportada pela balsa Vovó Amazonas foi exposta à água e à umidade após um acidente nas proximidades de Itamarati. Segundo a gestão municipal, os materiais foram totalmente perdidos.

Governo prevê medidas para manter abastecimento

 

Para reduzir os riscos de interrupção dos atendimentos, o decreto prevê medidas para manter ou restabelecer o fornecimento de medicamentos, cilindros de oxigênio e outros materiais às unidades de saúde afetadas. O governo também deverá organizar alternativas de transporte e distribuição para as localidades atingidas.

Como parte das ações de assistência, 49 municípios receberam o Kit Calamidade Ampliado, distribuído pela Central de Medicamentos do Amazonas (Cema).

Os kits reúnem cerca de 106 tipos de itens, que somam aproximadamente 30.027 unidades. Entre os medicamentos estão antimicrobianos, analgésicos, anti-inflamatórios, antiasmáticos, anti-hipertensivos e antidiabéticos, além de soluções e eletrólitos.

A remessa também inclui materiais hospitalares, como luvas, máscaras, aventais, cateteres, seringas, agulhas, gazes, ataduras e fios de sutura.

*G1/AM/Foto: William Duarte/Rede Amazônica

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