Advogada de Samara Felippo denunciou racismo contra os próprios filhos em escola no interior de SP; veja quem é

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A advogada contratada por Samara Felippo após a filha da atriz ser vítima de racismo na escola de alto padrão Vera Cruz, na Zona Oeste de São Paulo, viveu um caso semelhante envolvendo a própria família: em 2022, os filhos de Thaís Cremasco também sofreram ataques racistas em um colégio particular em Valinhos (SP).

Atuando há 20 anos em causas sociais, a advogada é cofundadora do coletivo “Mulheres pela Justiça”, que oferece apoio jurídico a mulheres vítimas de qualquer tipo de violência. Ao g1, Cremasco destacou a importância de casos como o dos próprios filhos e da filha de Samara Felippo repercutirem nacionalmente.

As pessoas brancas não reconhecem que são racistas, porque é feio se reconhecer enquanto criminoso. Racismo é crime, e ninguém quer se reconhecer racista. Tomar proporções faz com que as pessoas comecem a refletir sobre o quanto a gente propaga e reproduz violência racial no nosso país.

— Thaís Cremasco, advogada de Samara Felippo

Relembre o caso

Em novembro de 2022, oito alunos foram expulsos do Colégio Visconde de Porto Seguro, onde o filho de Cremasco, à época com 15 anos, estudava. A decisão foi tomada após o jovem denunciar mensagens racistas, machistas, gordofóbicas e xenofóbicas em um grupo de WhatsApp.

O grupo de WhatsApp reuniu mensagens com referências a ditadores, como o nazista Adolf Hitler e o fascista italiano Benito Mussolini. À época, a Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgou uma nota para cobrar do colégio uma “atitude enérgica” contra a situação.

“Esse caso [de Valinhos] tomou uma repercussão até internacional, e a Samara [Felippo] me conheceu por causa desse caso. Quando ela me procurou, ela me procurou por conta dessa expertise específica nesse caso dos meus filhos”, explica a advogada.

Quando as expulsões aconteceram, a escola alegou “consternação e indignação com o conteúdo de caráter racista, antissemita e misógino” das mensagens e disse repudiar todas as formas de discriminação e preconceito.

“O Colégio reforçará suas práticas antirracistas, de conscientização e respeito à diversidade, em todos os campus, abordando o assunto de forma ainda mais contundente em suas pautas cotidianas, com iniciativas envolvendo a comunidade escolar, inclusive com apoio de consultoria especializada, para procurar evitar a reincidência de uma situação gravíssima e inadmissível como essa”, informou à época.

Ofensa em caderno

A filha de 14 anos da atriz Samara Felippo foi vítima de racismo na escola de alto padrão Vera Cruz, na Zona Oeste de São Paulo, na segunda-feira (22).

Segundo Samara e o colégio, duas alunas do 9° ano pegaram um caderno da garota, que é negra, arrancaram as folhas e escreveram uma ofensa de cunho racial em uma das páginas. Na sequência, o caderno foi devolvido aos achados e perdidos.

“Todas as páginas, de um trabalho de pesquisa, elaborado, caprichado, valendo nota, feito por ela, foram arrancadas violentamente e dentro do caderno havia a frase [racista]. O caderno já está em minhas mãos e um novo caderno já foi dado a minha filha”, relatou Samara em uma carta a um grupo de pais da escola.

A atriz registrou boletim de ocorrência, e afirmou que ainda não definiu se vai tirar a filha da escola. Ela prestou depoimento nesta terça-feira (30).

“Ainda estou digerindo tudo e talvez nunca consiga, cada vez que olho o caderno dela ou vejo ela debruçada sobre a mesa refazendo cada página dói na alma. Choro. É um choro muito doído. Mas agora estou chorando de indignação também”.

A escola Vera Cruz suspendeu por tempo indeterminado as duas alunas acusadas do ato de racismo.

De acordo com Cremasco, a expectativa é que as estudantes responsáveis pelas ofensas racistas sejam devidamente punidas e expulsas da instituição de ensino.

“O que a gente espera não é vingança, é justiça, a gente espera que, de fato, elas sejam punidas com a gravidade, a mesma gravidade que acontece com a punição de adolescentes pretos e periféricos no nosso país. É injusto que esse caso seja tratado de uma forma diferente”, destaca a advogada.

Fonte: G1/Foto: Rodrigo Zanotto

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