Alerta em Manaus: calor extremo deve ocorrer em setembro e outubro

0
1

Manaus registrou 36,8°C na segunda-feira (10), a maior temperatura entre janeiro e o dia 10 de agosto deste ano. E o calor será mais intenso em setembro e outubro. Segundo a meteorologista Andrea Ramos, essa temperatura pode ser superada no período mais seco do verão. “Para Manaus, o período de maior atenção tende a ocorrer entre setembro e outubro, quando a estação menos chuvosa está mais avançada e o aquecimento diurno costuma ser mais intenso”, afirma.

O meteorologista e consultor climático Francisco de Assis afirmou quena segunda-feira, no momento do registro, a sensação térmica chegou a 41°C. Segundo ele, a umidade relativa do ar estava baixa durante os horários de maior temperatura.

“Com 36,8°C, a sensação térmica é de 41 graus. Quando a umidade está baixa, a sensação térmica não aumenta, a temperatura está elevada, a umidade fica baixa, 40% nos horários mais elevados. Se essa umidade fosse mais alta, a população não aguentaria”, explicou.

Apesar do calor, a temperatura registrada ainda está abaixo dos extremos observados em Manaus em 2023. A capital chegou a 38°C em agosto, recorde para este mês em mais de seis décadas, e 39,3°C em setembro.

El Niño e chuvas escassas

Para a meteorologista e professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Juliane Querino, os meses de julho e agosto apresentam temperaturas acima do esperado para o período. Segundo ela, o El Niño influencia tanto a temperatura quanto a precipitação e pode intensificar as características do período seco.

“Nesse período conhecido como ‘verão amazônico’, que se refere à época seca da região, é comum termos temperaturas mais altas e baixa umidade relativa do ar, assim como baixo volume de chuva. Com a influência do fenômeno El Niño nessas variáveis, temos uma intensificação no comportamento desses elementos. Se a temperatura for registrada acima da média, os valores estarão acima desse registro, por exemplo. Assim sendo, temperaturas mais elevadas e volume de precipitação mais baixo”, explicou.

A previsão climática para agosto, setembro e outubro indica maior probabilidade de precipitação abaixo da média e temperaturas acima da média em boa parte do Amazonas. Em Manaus, a climatologia estima uma retomada gradual das chuvas, com média de 56,1 milímetros em agosto e 79 milímetros em setembro. A recuperação, porém, pode ocorrer de forma irregular. “A chuva pode continuar irregular e mal distribuída, mesmo que ocorram pancadas isoladas”, disse.

Andrea ressalta que o calor não pode ser atribuído exclusivamente ao El Niño e resulta de uma combinação de fatores. “O calor atual resulta da combinação entre sazonalidade do período menos chuvoso, menor nebulosidade, maior incidência de radiação solar, circulação atmosférica regional e déficit de precipitação. O El Niño ajuda a modificar a circulação de grande escala e pode favorecer esse pano de fundo mais quente e seco, mas não deve ser apresentado como causa única”.

Juliane Querino afirma que a atuação do fenômeno também pode atrasar o retorno das chuvas. “Mensalmente são realizados boletins técnicos pelos órgãos oficiais, e a previsão climática é que tenhamos temperaturas acima da média e precipitação abaixo da média esperada para o período. A previsão é que o fenômeno El Niño atue até janeiro de 2027, portanto o período de chuvas na região comece um pouco mais tarde”.

Anomalia diferente

Segundo Juliane, o atual episódio de El Niño apresenta uma diferença em relação ao fenômeno observado em 2023-2024. Naquele período, havia também uma anomalia na temperatura das águas do Atlântico Norte, condição que, segundo ela, contribuiu para a seca intensa. Neste ano, as águas do Atlântico Norte estão dentro da normalidade.

“O efeito do El Niño na temperatura do ar é aumentar os valores médios do que é esperado para a região; a intensidade com que ele atua é que indica uma maior ou menor variação. “A previsão é que o El Niño atue até 2027, intensificando-se agora no segundo semestre, o que continuará influenciando o comportamento da temperatura e da precipitação”, afirmou.

Andrea ressalta que um El Niño potencialmente mais forte não significa necessariamente que Manaus repetirá ou superará os extremos registrados em 2023. “Portanto, não é correto concluir que um El Niño potencialmente mais forte necessariamente produzirá temperaturas maiores ou menos chuva em Manaus do que em 2023”.

Segundo Andrea, os efeitos do fenômeno também dependem das condições do Atlântico Tropical, da circulação atmosférica e do momento do ano em que o El Niño atingir maior intensidade.

Umidade e desconforto

A umidade relativa do ar tende a variar ao longo do dia. Andrea explica que, durante as tardes muito quentes e com pouca chuva, os índices tendem a cair, enquanto voltam a subir durante a madrugada e o início da manhã.

Juliane afirma que os valores de umidade estão abaixo da média e que a combinação com temperaturas elevadas aumenta o desconforto térmico. “A umidade relativa do ar apresenta valores abaixo da média, indicando um período mais seco. Como temos temperaturas elevadas, essa combinação aumenta a sensação de desconforto térmico”.

Ela orienta que, nesse período, a população mantenha-se hidratada, busque alimentos leves, evite exercícios nos horários mais quentes do dia, principalmente ao ar livre. E mantenha o ambiente umidificado. “Principalmente crianças e idosos, que sentem mais o impacto dessas condições”.

Interior

As condições de calor, baixa umidade e redução das chuvas também são observadas no interior do Amazonas. “A temperatura do ar, umidade do ar e precipitação apresentam o mesmo comportamento no interior. E ressalto a atenção às comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, que são as mais afetadas com esses impactos.”

Andrea ressalta que, embora o cenário seja semelhante, a intensidade do calor varia entre as regiões conforme a disponibilidade de umidade, nebulosidade e chuva.

“No geral, o estado vive um cenário geral favorável ao calor, mas a intensidade varia bastante: onde há menos chuva e nebulosidade, as máximas tendem a ser maiores; onde persistem mais umidade, nuvens e pancadas de chuva, as máximas podem ser menores, embora a sensação de abafamento seja elevada”, concluiu.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: AM ATUAL

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui