Amazonas registra 389 desaparecimentos entre janeiro e maio de 2026

Publicado em

Entre janeiro e maio de 2026, o Amazonas registrou 389 casos de desaparecimento e 286 localizações de pessoas, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-AM). O desaparecimento de um familiar é apontado por especialistas como uma das situações mais dolorosas para qualquer família.

De cada 100 registros de desaparecimento no estado, cerca de 74 resultam em localização. O índice é maior entre crianças e adolescentes: 81,8% voltam para casa. Entre adultos, a taxa cai para 69,8%.

Especialistas destacam que, por trás dos números, há dramas emocionais que atingem não apenas quem desaparece, mas também toda a família.

A dor da ‘perda ambígua’

 

Diferente do luto tradicional, onde há um desfecho claro, o desaparecimento impõe às famílias o que a psicologia chama de “perda ambígua”. De acordo com a psicóloga Flávia Ribeiro, esse cenário impede que os rituais de despedida sejam realizados, travando o processo de elaboração do sofrimento.

Ela afirma que, no curto prazo, isso gera ansiedade, angústia e desorganização da rotina. A longo prazo, muitas famílias passam a viver em função da busca por respostas, o que pode levar a quadros de depressão e conflitos internos.

O retorno e os novos desafios

 

O reencontro com um familiar desaparecido, embora esperado, também traz desafios. O retorno não encerra o sofrimento: a ausência pode deixar sequelas psicológicas em quem desapareceu e nos parentes.

De acordo com Flávia Ribeiro, muitos jovens que voltam para casa apresentam fragilidade emocional, vergonha, medo do julgamento social e sentimento de culpa. Em alguns casos, há sinais claros de trauma.

“Para lidar com essa realidade, a recomendação médica e psicológica é o acolhimento irrestrito e a busca por apoio profissional”, alerta Flávia.

 

A psicóloga ressalta que família deve acolher o jovem sem julgamentos ou cobranças excessivas, permitindo que ele compartilhe a experiência no seu próprio tempo.

Cuidado sem controle

 

Após o desaparecimento, é comum que pais passem a vigiar os filhos de forma excessiva. Flávia Ribeiro alerta que a proteção não pode se transformar em controle.

“É preciso buscar um equilíbrio para que a proteção não vire controle. A confiança deve ser reconstruída aos poucos, por meio do diálogo”, conta.

*G1/Am/Foto:  Reprodução/CNPD

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Servidor do Detran usava conta da esposa para receber propina de fraudes

O processo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal...

São Paulo de Olivença decreta situação de emergência por seca do Rio Solimões no Amazonas

O município de São Paulo de Olivença, no interior do...

PF faz operação contra grupo suspeito de explorar 50 trabalhadores e causar dano ambiental de R$ 179 milhões no AM

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (27), a Operação...

Esforços de resgate em Tibete e Nepal avançam sob risco de novos enchentes e deslizamentos de terra na região

Enquanto equipes de resgate e forças de segurança no Nepal e...