Após derrota do governo, oposição deve ser a próxima a sofrer revés

Publicado em

A oposição derrotou o governo na última semana ao conseguir articular, junto ao Centrão, requerimento de retirada de pauta na Câmara dos Deputados da Medida Provisória n° 1.303/2025, alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A derrubada da medida representa uma das maiores quedas do governo do presidente Lula (PT).

Com a enterrada do texto, o grupo aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu vitorioso. Nesta semana, no entanto, o revés pode ser rebatido devido ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria.

O relator do texto, deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), espera votar o projeto na quarta-feira (15/10). Segundo ele, o texto será enxuto e não contemplará anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, tampouco a Bolsonaro. Ele defende a redução de penas.

Ao Metrópoles interlocutores do PL afirmam que o partido não aceitará o projeto nos moldes mais “leves”, apenas com a redução de penas. A intenção é articular com legendas que já vêm flertando com o bolsonarismo e que, recentemente, romperam com o governo, como o PP e o União Brasil. Republicanos e PSD também entrariam no rol.

Oposição pode sofrer revés com texto do PL da Dosimetria:

  • Enquanto o grupo aliado a Jair Bolsonaro pede por anistia “ampla, geral e irrestrita”, o relator, Paulinho da Força, defende texto que contemple a redução de penas.
  • Paulinho da Força não deve incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais envolvidos no “núcleo crucial” do inquérito do golpe no texto da Dosimetria.
  • O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, articula texto paralelo para anistiar Bolsonaro e passar no Senado, com o apoio de aliados bolsonaristas.
  • O presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre, diz que não há clima para votar o texto.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), estuda apresentar substitutivo ao texto de Paulinho da Força, elaborado por ele próprio. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, o deputado calcula ter 278 votos favoráveis a anistiar quem participou do 8 de Janeiro, além de Bolsonaro e outros condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no “núcleo crucial” do inquérito do golpe.

No cenário idealizado por Sóstenes, a dosimetria das penas sequer seria votada, e o texto seguiria para o Senado, onde bolsonaristas terão de travar nova batalha para convencer Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) a pautar a proposta.

O presidente da Casa Alta, no entanto, afirma que não há clima para a aprovação da proposta. Ele teve acesso ao texto durante reunião na última terça-feira (7/10), junto ao relator e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O PL da Dosimetria era, inicialmente, PL da Anistia. A urgência do texto foi aprovada no plenário da Câmara dia 17 de setembro – dessa forma, a redação projeto pode ser deliberada sem precisar passar por comissões. Logo depois da aprovação, Motta designou Paulinho como relator. O parlamentar, então, passou a chamar o texto de PL da Dosimetria.

A pauta une PT e PL. Por um lado, a sigla de Jair Bolsonaro insiste em anistia “ampla, geral e irrestrita”, enquanto o grupo de Lula diz não ser favorável a discutir mudança no Código Penal enquanto os processos não transitarem em julgado.

Fonte: Metrópoles/Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Netanyahu fala em “dizimar” Irã, que responde com mísseis no Golfo

Israel realizou nesta sexta‑feira (20/3) uma nova série de...

Patente do Ozempic cai nesta sexta. Saiba quando o preço será reduzido

A patente da semaglutida, princípio ativo usado no Ozempic, expira...

Hospital terá que devolver valores em dobro cobrados de pacientes do SUS

Um hospital do Rio Grande do Sul foi condenado...

João Fonseca x Alcaraz no Miami Open 2026: horário e onde assistir

Depois de passar pelo húngaro Fabian Marozsan na estreia...