Após eleição anulada, oposição articula nomes para comando da Alerj

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A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) de anular a eleição que colocou Douglas Ruas (PL) na presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e condicionar um novo pleito à substituição de Rodrigo Bacellar (União) abriu espaço para a oposição articular um candidato ao comando da Casa.

Ruas havia sido eleito no último dia 26, sem adversários, em uma articulação do grupo que controla a Alerj para manter o poder e colocá-lo na linha sucessória do estado — o que poderia levá-lo ao governo de forma interina após a renúncia de Cláudio Castro (PL).

A votação, porém, foi invalidada porque, segundo o TJRJ, a eleição só poderia ocorrer após a definição do substituto de Bacellar, que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Justiça Eleitoral já indicou que Carlos Augusto (PL) deve assumir a vaga de deputado estadual deixada por Bacellar, mas a oficialização ainda depende de etapas burocráticas e, segundo parlamentares, deve ser concluída apenas em 14 de abril.

Até lá, a oposição vê uma janela para organizar uma candidatura e enfrentar Ruas em uma nova disputa.

Na eleição anulada, Douglas Ruas recebeu 45 votos após a oposição optar pelo boicote e não lançar candidato. Agora, a estratégia mudou. Governistas defendem entrar na disputa e enxergam espaço para dissidências dentro da base do governo.

Dois nomes ganharam força nos bastidores: Vitor Júnior (PDT) e Rosenverg Reis (MDB). O pedetista foi citado como opção em reunião na terça-feira (31/3) com parlamentares de PT, PDT, PSOL, PCdoB, PSB e PSD. Já Rosenverg se colocou à disposição de lideranças do MDB e do PSD.

Segundo deputados, as negociações devem continuar nos próximos dias. Parlamentares também pretendem levar a discussão ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo do estado.

Vitor Júnior está no primeiro mandato como deputado estadual e tem trajetória política em Niterói, onde foi vereador e ocupou cargos na prefeitura. Rosenverg Reis está no quarto mandato na Alerj, comanda a primeira-secretaria da Casa e tem base eleitoral na Baixada Fluminense. Ele é irmão de Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora na chapa liderada por Paes.

A presidência da Alerj na sucessão estadual

  • O Rio vive um colapso na linha sucessória: Cláudio Castro (governador) e Thiago Pampolha (vice) renunciaram.
  • Pela regra, o presidente da Alerj é o próximo na sucessão, mas o posto está vago após a cassação de Rodrigo Bacellar.
  • Com a vacância, o comando do estado passou interinamente ao presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto.
  • Quem assumir a presidência da Alerj passa a ser o primeiro na linha e pode chegar ao governo de forma imediata.
  • O cargo abre a possibilidade de comandar o estado até a eleição que definirá o governador-tampão.
  • Estar no posto também garante protagonismo na condução do processo de transição e para ampliar o capital eleitoral para 2026.

Voto secreto

Em paralelo às articulações, o PDT foi à Justiça para pedir que a eleição para a presidência da Alerj seja realizada por voto secreto, sem identificação dos parlamentares. O regimento interno da Casa prevê votação aberta, com registro público dos votos.

Na ação, o partido afirma que o modelo atual expõe deputados a pressões e pode gerar “coação e retaliação”. Segundo a sigla, o formato também “distorce a vontade dos parlamentares e cria incentivos para perseguições e alinhamentos forçados”.

O pedido será analisado pela desembargadora Suely Magalhães, vice-presidente do TJRJ e responsável por anular a eleição anterior.

Em decisão publicada no último dia 1°, a desembargadora sinalizou que pedidos do gênero somente poderão ser apreciados após os procedimentos para substituição de Bacellar e a oitiva da Alerj.

“Com a impossibilidade de realização da eleição para a Presidência da Assembleia Legislativa até a homologação definitiva do resultado da retotalização de votos pelo Plenário do Tribunal Regional Eleitoral, haja vista a decisão liminar, afigura-se desnecessária a apreciação inaudita altera parte do pleito liminar”, escreveu Suely Magalhães.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a eventual adoção do voto secreto pode favorecer a oposição. “Há relatos de pressão para votar em Ruas. Se fosse secreto, os colegas teriam mais conforto para votar em quem quiserem”, disse um deputado, que pediu para não ser identificado.

Fonte: Metrópoles/Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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