Após novo acórdão, Bolsonaro pode ir para o regime fechado na próxima semana

Publicado em

Existe a possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começar a cumprir pena em regime fechado já na próxima semana. A preocupação cresceu após a publicação do acórdão que rejeitou os primeiros embargos de declaração apresentados pela defesa no caso da trama golpista.

Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que a decisão abre caminho para que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determine o início da execução da pena ainda em novembro.

O prazo para apresentação de embargos infringentes começou a correr em 22 de outubro, com a publicação da decisão de mérito, mas foi interrompido pelos primeiros embargos de declaração. Se esse entendimento for mantido, a nova contagem termina em 28 de novembro.

O advogado criminalista Jaime Fusco explica que, após o fim dos recursos cabíveis, ocorre o trânsito em julgado, quando a condenação se torna definitiva.“Esse encerramento pode se dar pelo simples decurso do prazo. São dois dias corridos, prorrogáveis até o próximo dia útil, se terminar no domingo ou feriado”, detalha.

Para Fusco, não há dúvida de que, encerrados os recursos, a execução deve começar em regime fechado. “Pela letra fria da lei, o cumprimento da pena de Bolsonaro deve ocorrer em regime fechado, seguindo as regras da Lei de Execução Penal para eventual progressão”, declara.

O advogado avalia que, considerando o ritmo do processo, a execução pode ser determinada ainda este mês. “No andamento em que esse caso vem sendo analisado, sim, há possibilidade concreta”, observa.

Quais recursos ainda cabem

Mesmo após a rejeição dos primeiros embargos, a defesa ainda pode apresentar novos embargos de declaração, em até cinco dias, ou tentar embargos infringentes, cujo prazo é de 15 dias, mas apenas se houver pelo menos dois votos divergentes — o que não ocorreu.

Bolsonaro foi condenado por quatro ministros, com apenas um voto pela absolvição, de Luiz Fux. Por isso, segundo a jurisprudência pacificada do STF, os embargos infringentes não devem ser admitidos.

Os embargos de declaração servem apenas para esclarecer omissões e contradições e não têm poder para reverter a condenação. Isso reduz de forma significativa o espaço de atuação da defesa e aproxima o trânsito em julgado.

O advogado criminalista Thiago Turbay explica que novos recursos podem ser considerados protelatórios. “Esses instrumentos são limitados a defeitos formais da decisão, não servem para reavaliar fatos já julgados. A consequência, se for o caso, será o reconhecimento do trânsito em julgado, marco essencial para o início do cumprimento da pena”, afirma.

Ele ressalta que Bolsonaro poderia cumprir pena em regime diverso apenas se comprovasse condição médica incompatível com o sistema penitenciário, algo excepcional.

Caminhos de Moraes

Moraes tem três possibilidades: esperar o fim dos prazos; rejeitar de imediato novos recursos, se entender que são protelatórios; autorizar a execução antes disso, caso considere abuso no uso de recursos.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Se a execução for determinada, ele deve ser encaminhado diretamente ao regime inicial fechado, como prevê a legislação.

 

 

*r7/Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

PF faz operação contra Digimais, banco de Edir Macedo; R$ 670 milhões são bloqueados.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (23/6), a...

Parcela de pessimistas com economia cai de 35% para 26%, diz Datafolha

A parcela da população que se considera pessimista com...

Com expectativa de saída de Jaques Wagner, governo articula sucessão

Com a intenção de conter o impacto da crise...

Mulher morre atropelada em Manaus e pedestres espancam motorista

Merian Rodrigues de Freitas, de 60 anos, morreu na...