Bortoleto reforça amizade com Hulkenberg e revela dificuldade no início: “Ele era um pouco pé atrás”

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Em entrevista ao vivo concedida na terça-feira (5) ao podcast “Na Ponta dos Dedos”, do ge.globo, o brasileiro Gabriel Bortoleto deu detalhes sobre a amizade com Nico Hulkenberg, companheiro de equipe na Sauber, e explicou sua mentalidade em relação a um colega de time. Não é incomum que dois pilotos da mesma escuderia se deem bem, mas é possível dizer que poucos tiveram a sinergia que a dupla apresenta nos primeiros meses juntos na Fórmula 1.

Os dois frequentemente se elogiam e comemoram os bons resultados um do outro, como quando o alemão conquistou o pódio na Inglaterra, encerrando um jejum de 239 corridas: o novato foi o primeiro a correr para parabenizar o veterano. Bortoleto explicou que tem como mentalidade deixar as coisas claras em relação ao colega de time e acrescentou que os dois se ajudam com frequência.

– Eu sempre fui muito claro em questão de companheiro de equipe, essa é minha mentalidade. É meu jeito de lidar, se eu estiver errado, que eu pague o preço um dia. Eu conheço muitos outros pilotos que agem de outra maneira. Se a gente estivesse lutando pelo título mundial, provavelmente eu não teria o relacionamento que eu tenho com ele. A gente realmente é próximo e se ajuda muito em várias questões. Quando você está lutando pelo título mundial é meio que cada um por si e tem que ganhar o título, mas a gente vem da pior equipe do grid no ano passado, tem que reestruturar a equipe toda – disse.

Uma das ajudas citadas por Bortoleto aconteceu nos testes de pré-temporada realizados no Bahrein – e fora da pista. Nico Hulkenberg machucou o olho durante a atividade, e o brasileiro foi ao quarto do alemão para oferecer remédios em caso de necessidade. Um gesto simples, mas que o novato acredita que pode ter sido visto com bons olhos pelo experiente companheiro.

Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg chegaram à Sauber para tentar tirar a equipe do fundo do pelotão e vêm tendo sucesso até agora. No ano passado, a equipe suíça somou apenas quatro pontos com a dupla formada por Valtteri Bottas e Guanyu Zhou. Nesta temporada, a escuderia já tem 51, sendo 37 de Nico e 14 de Gabriel.

A Sauber foi comprada e vai passar a se chamar Audi na edição de 2026 da Fórmula 1 – o movimento de reestruturação já começou, com direito à chegada do chefe de equipe Jonathan Wheatley, ex-RBR. Focado em construir uma trajetória de sucesso com a empresa alemã, Bortoleto explicou que encara as relações pessoais como em uma empresa – e revelou que, no início, Hulkenberg teve um certo “pé atrás”:

– A nossa contratação é muito clara: vocês têm que levar a Audi ao sucesso. É como uma empresa, para levar ao sucesso tem que ter um bom ambiente, não pode ter um ambiente tóxico. Se você tem dois pilotos jovens é mais complicado, o Nico tem 15 anos de Fórmula 1, provou o que tinha que provar. (…) No começo, acho que ele era um pouco pé atrás, não sabia como eu era, mas eu sempre fui muito aberto e quis ajudar – iniciou Bortoleto.

– Lembro de pequenas coisas que eu fiz, eu novato na Fórmula 1 descobrindo coisa que talvez ele já soubesse. Chegava para ele e falava: ‘Nico, sabe o que eu descobri, talvez se você mexer no freio para essa curva, testei isso…”, ele olhava para mim e falava “por que você está falando isso?”. Eu dizia, a gente está em 20º e 19º, vai mudar o quê? A gente tem que ir para a frente – completou.

O novato na Fórmula 1 também afirmou que atua na base da reciprocidade: se um piloto não quiser ter uma boa relação, Bortoleto diz que pode ser o “pior companheiro de equipe” da vida. Mas esse não é o caso com Hulkenberg – segundo o paulista, o alemão mostrou abertura para ter uma ótima relação.

– Sempre tentei criar bons ambientes, mas eu também posso ser o pior companheiro de equipe da sua vida se você não me tratar bem e não for recíproco. Também não vou ligar para absolutamente nada e fazer de tudo para não te ajudar, mas depende de como o outro lado reagir. O Nico sempre foi muito aberto desde que a gente começou a se ajudar e sempre tive um carinho nesse sentido. Quando ele fez o pódio dele, 15 anos lutando na Fórmula 1, um cara de talento, eu me identifico um pouco.

A reação de Gabriel Bortoleto com o pódio de Nico Hulkenberg em Silverstone, com direito a chamá-lo de “lenda do c…” pelo rádio, é uma demonstração do pensamento de Bortoleto:

– Estava chateado porque ele não tinha o pódio. Eu tinha batido na corrida de Silverstone, mas fiz questão de assistir da garagem, torcendo, abri o rádio porque estava feliz, fui até o pódio porque estava feliz. Quando você faz o bem, muitas vezes o bem volta. Nunca faço esperando nada em troca, mas nesse sentido ele merecia o apoio e alegria da equipe, não podia eu trazer a energia para baixo porque tinha batido – concluiu.

Os elogios são recíprocos: Hulkenberg já deu várias declarações sobre a capacidade de pilotagem do brasileiro. Antes mesmo de Bortoleto conquistar seus primeiros pontos na Fórmula 1, Nico disse que o calouro estava “colocando pressão” na disputa interna com uma capacidade “muito impressionante”.

Por sua vez, o chefe de equipe Jonathan Wheatley declarou em entrevista após o GP da Hungria que não se lembra de ter visto uma dupla tão próxima e colaborativa em todos os anos de convivência no paddock – o britânico começou na Fórmula 1 em 1991, ainda como mecânico júnior da Benetton.

Fonte: Globo Esporte/Foto: Bradley Collyer/PA Images via Getty Images

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