O Amazonas pode enfrentar calor extremo, chuvas abaixo da média e aceleração da vazante dos rios entre agosto e outubro de 2026. O alerta é baseado em projeções meteorológicas que apontam para o fortalecimento do fenômeno El Niño e para o aquecimento do Oceano Atlântico, fatores que reduzem as chuvas na região e aumentam o risco de seca, queimadas e problemas de abastecimento.
A meteorologista Andrea Ramos, responsável pelas projeções, explica que o trimestre já corresponde ao período mais quente e seco do ano no estado. Neste ano, porém, a atuação dos fenômenos climáticos pode agravar o cenário.
🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele acontece com frequência a cada dois a sete anos. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
Segundo a especialista, há aumento do risco de incêndios florestais, problemas causados pelo calor e pela fumaça, além de restrições na navegação dos rios Solimões, Negro, Madeira, Purus e Juruá.
Andrea Ramos também destaca que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026.
De acordo com o boletim mais recente da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño de 2026-2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica.
“As projeções mais recentes indicam que o El Niño de 2026–2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica, mas ele ainda está em fase de fortalecimento. Existe possibilidade de intensidade oceânica comparável ou até superior à do evento de 2023–2024, mas isso ainda é uma projeção”, explica a meteorologista.
Por que está tão quente?
As altas temperaturas registradas nas últimas semanas em Manaus são explicadas principalmente pelo verão amazônico, período marcado pela redução das chuvas e da cobertura de nuvens.
“Esse calor observado em Manaus e em grande parte do Amazonas é explicado, em primeiro lugar, pelo verão amazônico. Com a redução das chuvas e da cobertura de nuvens, aumenta a incidência de radiação solar sobre a superfície, permitindo um aquecimento mais intenso durante o dia. Ao mesmo tempo, a menor umidade do solo reduz o resfriamento produzido pela evaporação da água”, explicou.
Segundo Andrea Ramos, o El Niño atua como um fator de intensificação ao favorecer a redução das chuvas no Centro-Norte do país.
“O verão amazônico fornece a condição sazonal básica para o calor, enquanto o El Niño atua como um possível fator de intensificação”, resume.


