O Centrão recalcula a relação com o PL para a próxima legislatura, em meio às articulações para a reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Apesar de partidos do bloco terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, dirigentes buscam preservar espaço nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e evitar que os bolsonaristas avancem sobre o comando do Congresso Nacional – principalmente agora que o derrotado nas urnas fugiu para os Estados Unidos (EUA) e deixou seus aliados sem direção.
O cenário coloca em evidência uma diferença entre as alianças eleitorais e os acordos parlamentares. União Brasil, PP e Republicanos apoiaram Flávio no segundo turno, mas integrantes dessas siglas já sinalizam que a posição na eleição presidencial não significa adesão automática a uma estratégia conjunta com o PL no Legislativo.
Recalculando a rota
- Centrão recalcula relação com o PL e busca preservar espaço nas negociações pelo comando do Congresso a partir de 2027.
- PT declarou apoio à reeleição de Hugo Motta, em articulação que dificulta uma eventual candidatura do PL à presidência da Câmara.
- PL quer ampliar influência em comissões estratégicas, como CCJ, Relações Exteriores e Segurança Pública.
- PL marcou reunião para decidir se lançará Rogério Marinho contra Davi Alcolumbre, que já reúne apoio de partidos de diferentes espectros políticos.
Articulação na Câmara
Na Câmara, a movimentação em torno de Hugo Motta ganhou força com a adesão do PT à articulação pela reeleição do deputado. A federação formada por PT, PCdoB e PV declarou apoio ao atual presidente da Casa, ampliando para 361 o número de deputados eleitos vinculados a partidos que respaldam sua recondução.
O apoio, no entanto, tem uma condição: a federação ameaçou deixar o bloco caso o PL e o Novo passem a integrar o grupo. A posição foi comunicada a Motta, que afirmou que as siglas serão consultadas antes de qualquer decisão sobre a entrada de novos partidos.
A resistência dos petistas faz parte de uma estratégia para limitar o espaço da oposição na estrutura de poder do Legislativo.
A composição busca dificultar uma eventual candidatura do PL, que elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027.
O movimento também aproxima o Centrão do governo Lula na disputa pelo comando da Câmara, embora não represente necessariamente um alinhamento integral entre os partidos nas votações da próxima legislatura.
A ameaça petista expõe, ainda, o desafio de Motta para conciliar os interesses das legendas de centro e esquerda que apoiam sua reeleição com a pressão do PL por mais espaço.
O partido de Flávio Bolsonaro deve buscar protagonismo na distribuição das comissões permanentes da Câmara. Entre os colegiados estratégicos, estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
As comissões têm papel relevante na análise de projetos, na discussão de temas prioritários e na fiscalização de ações do governo. O controle desses espaços pode ampliar a capacidade de influência do PL sobre a agenda legislativa e dar à oposição instrumentos para pressionar o Palácio do Planalto.
A disputa por esses postos deve entrar no cálculo das negociações com o Centrão. Mesmo sem garantir a presidência da Câmara, o PL poderá usar o tamanho da bancada para reivindicar espaço nos colegiados.
Para os partidos de centro, o desafio será conciliar a distribuição desses postos com a articulação pela permanência de Motta no comando da Casa.
União Brasil e PP fecham com Alcolumbre
No Senado, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre. A decisão enfraquece a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disputar o comando da Casa com o respaldo das duas siglas.
Diante desse cenário, o PL marcou para 4 de novembro uma reunião para decidir se lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. O parlamentar é um dos nomes cotados pela oposição para enfrentar Alcolumbre na eleição prevista para 1º de fevereiro de 2027.
Parte da oposição defende um acordo entre Marinho e Tereza Cristina para evitar a divisão dos votos contrários à recondução do atual presidente. A avaliação é de que uma candidatura unificada teria mais condições de conquistar apoio de diferentes bancadas.
Alcolumbre, por sua vez, conta com sinalizações de apoio de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP. As cinco legendas terão, juntas, 33 senadores na próxima legislatura, oito a menos que os 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa.
A disputa também é estratégica para a oposição por causa do poder do presidente do Senado de decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho defende mudanças nas regras para análise dessas denúncias, tema de interesse do grupo bolsonarista.
Mesmo com a maior bancada da Casa, o PL dependerá de alianças para vencer a eleição. A decisão sobre Marinho e a possibilidade de um acordo com Tereza Cristina serão determinantes para medir a capacidade da oposição de enfrentar a articulação de Alcolumbre.
Fonte: Metrópoles/Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto


