Cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram uma nova classe de antibióticos com atividade potente contra bactérias multirresistentes – em testes realizados em ratos, a droga foi capaz de tratar com sucesso infecções na corrente sanguínea.
A classe de compostos descrita tem como alvo uma proteína presente nas bactérias gram-negativas, a LpxH. Nem todas as bactérias carregam essa proteína, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que os organismos que a possuem, são os mais críticos para o desenvolvimento de novos tratamentos, incluindo Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, pois já desenvolveram resistência aos antibióticos disponíveis.
Nos experimentos em laboratório, camundongos foram infectados com E. coli ou K. pneumoniae e, uma hora depois, receberam uma série de compostos projetados para inibir a LpxH. Os resultados demonstraram que foi possível tratar as infecções em quatro horas e com apenas uma dose.
“A capacidade destes compostos para reduzir fortemente o número de bactérias no sangue em apenas um tratamento de dose única destaca o seu potencial para tratar as infecções mais potencialmente fatais com patógenos gram-negativos [multirresistentes a medicamentos]”, disseram os pesquisadores.
Segundo o portal Science Alert, o processo foi iniciado com um composto chamado JEDI-1444, que foi elaborado a partir dos resultados de uma pesquisa na literatura por candidatos a inibidores adequados. Mas, embora ele tenha se mostrado promissor na prevenção do crescimento de gram-negativos, não era muito solúvel ou estável no sangue.
A equipe envolvida no trabalho realizou, então, algumas modificações e obteve sucesso em duas variações codificadas: EBL-3599 e EBL-3647. Essas, apesar de não terem sido melhor dissolvidas no soro sanguíneo, mostraram atividade antimicrobiana potente contra uma ampla gama de isolados de E. coli e K. pneumoniae.
Os cientistas ressaltaram que, uma vez que esta classe de compostos é completamente nova e a proteína LpxH ainda não foi explorada como alvo para antibióticos, não existe resistência pré-existente. Eles concluíram que, “embora os resultados atuais sejam muito promissores, será necessário um trabalho adicional considerável antes que os compostos desta classe estejam prontos para ensaios clínicos”.
Fonte: Época Negócios/Foto: Getty Images
