Início Política Cláudio Castro desistiu de disputar o Senado, diz Valdemar

Cláudio Castro desistiu de disputar o Senado, diz Valdemar

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O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) comunicou nesta quinta-feira (28/5) ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que desistiu de disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Lançada em fevereiro, a pré-candidatura se tornou insustentável após o político ser declarado inelegível e virar alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de 15 dias.

Valdemar afirmou ao Metrópoles que caberá ao PL do Rio de Janeiro definir o substituto. “O Rio que resolve”, disse. Segundo apurou a reportagem, Castro também já comunicou a desistência à direção da sigla no estado.

O recuo já era esperado pelas cúpulas nacional e estadual do PL. Cláudio Castro já havia até mesmo sinalizado a desistência a secretários estaduais e aliados, como mostrou a coluna Igor Gadelha.

Nos bastidores, a candidatura de Castro vinha sendo tratada como “inviável”, e o ex-governador passou a ser visto por correligionários como uma espécie de “âncora” para a chapa do partido no Rio. Ele já vinha, inclusive, sendo deixado de lado em agendas públicas.

Castro foi alvo de investigações da PF relacionadas a supostas fraudes envolvendo o Banco Master e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O ex-governador foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo aliados, ele desistiu de disputar o Senado para se dedicar à sua defesa.

Dirigentes do partido afirmaram ao Metrópoles, sob reserva, que havia receio de que a manutenção da pré-candidatura de Castro prejudicasse o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa ao Planalto e de Douglas Ruas (PL) na corrida pelo governo do Rio de Janeiro.

Integrantes da cúpula do PL fluminense vinham dizendo que a avaliação interna era de que a situação do ex-governador ainda poderia se agravar e que haveria “mais por aí”.

Cláudio Castro seria candidato ao Senado em uma chapa encabeçada por Douglas Ruas, com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice. O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) ocuparia a outra vaga na disputa ao Senado.

Nos bastidores, dirigentes do PL já discutem substitutos para Castro. A expectativa é de que Flávio Bolsonaro, que participou da construção da chapa no Rio em fevereiro, tenha a palavra final sobre o nome.

Entre os cotados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil do Rio Felipe Curi. A mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, também é mencionada nas conversas internas. Inicialmente, ela seria suplente de Márcio Canella.

Membros da direção do PL no Rio afirmam que, hoje, a disputa está entre Jordy e Sóstenes.

Situação

A situação política e jurídica de Castro já vinha se deteriorando antes das operações da Polícia Federal. Em março, ele renunciou ao cargo na véspera da conclusão do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia buscava evitar a cassação e provocar eleições indiretas, mas acabou deixando o Rio de Janeiro sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça a menos de cinco meses da eleição.

O ex-governador recorreu da decisão e ainda ensaiava disputar o pleito com pendências judiciais (sub judice), mas até aliados consideravam remotas as chances de reverter a inelegibilidade. “É uma questão jurídica. Ele está inviabilizado. Não sei como os advogados dele não falaram para ele ainda”, afirmou um líder do PL antes do anúncio da desistência.

Operações da PF

Para dirigentes do partido, porém, o golpe final na candidatura veio com as operações recentes da Polícia Federal. Na terça-feira (26/5), Castro foi alvo de uma ação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar um suposto esquema envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, a proximidade do ex-governador com o dono do Master, Daniel Vorcaro, teria facilitado um aporte de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais, no banco. Na decisão, Mendonça afirmou que os investimentos eram “temerários e desprovidos de justificativa técnica”.

A operação envolvendo o Banco Master ocorreu poucos dias após outra ação da PF, deflagrada em 15 de maio. Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a investigação apontou que Castro teria usado a máquina pública para beneficiar a Refit em um esquema de fraudes fiscais.

“Acabou. Ele está muito enrolado e vai piorar”, resumiu um dirigente do PL.

Metrópoles não conseguiu contato com Castro para falar a respeito do assunto. O espaço segue aberto.

Fonte: Metrópoles/Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

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