Pela primeira vez, cientistas conseguiram desenvolver uma sinapse artificial, que funciona com água e sal, segundo pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences no último dia 24. O projeto consiste em um minúsculo dispositivo medindo 150 por 200 micrômetros, que imita o comportamento de uma sinapse — um componente essencial do cérebro responsável pela transmissão de sinais entre os neurônios. A construção foi realizada por físicos teóricos da Universidade de Ultrecht, na Holanda e físicos experimentais da Universidade Sogang, na Coreia do Sul.
No estudo, os cientistas demonstraram, pela primeira vez, um sistema dependente de água e sal que apresenta a capacidade de processar informações complexas, capaz de espelhar a funcionalidade do nosso cérebro. O feito fornece a primeira evidência de que um sistema que utiliza o mesmo meio que o nosso cérebro pode processar informações complexas. Além disso, há o objetivo que o projeto possa ser usado para construir computadores com funcionamento complexo e eficiente como o do cérebro humano.
Há anos que cientistas recorrem ao cérebro humano em busca de inspiração para aperfeiçoar a eficiência energética dos computadores convencionais. Estes esforços levaram ao desenvolvimento de computadores semelhantes a cérebros, que divergem do processamento binário tradicional para adotar métodos analógicos semelhantes aos nossos cérebros.
Tim Kamsma, principal autor do estudo celebrou o feito: “Embora já existam sinapses artificiais capazes de processar informações complexas baseadas em materiais sólidos, agora mostramos pela primeira vez que esse feito também pode ser realizado usando água e sal. Estamos replicando efetivamente o comportamento neuronal usando um sistema que emprega o mesmo meio que o cérebro.”
O dispositivo que foi desenvolvido pelos cientistas na Coreia, conhecido como memristor iontrônico, compreende um microcanal no formato de cone, que é preenchido com uma solução de água e sal. Ao receber impulsos elétricos, os íons dentro do líquido migram através do canal e levam alterações na concentração de íons. A condutividade do canal é ajustada conforme a intensidade ou duração do impulsa e reflete no fortalecimento ou enfraquecimento das ligações entre os neurônios.
A pesquisa também foi capaz de analisar que o comprimento do canal afeta a duração necessária para que as alterações de concentração se dissipem. “Isso sugere a possibilidade de adaptar canais para reter e processar informações por durações variadas, novamente semelhantes aos mecanismos sinápticos observados em nossos cérebros”, ressaltou Kamsma, que vê a publicação como um avanço significativo.
Fonte: O Globo/Foto: Divulgação




