O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reúne nesta terça-feira (14/7) para analisar o aumento da mistura de etanol na gasolina, em meio a pressões do setor e divergências dentro do governo sobre o ritmo da medida.
A proposta em discussão prevê elevar o teor obrigatório dos atuais 30% para pelo menos 32%, com possibilidade de avanço até 35%. A reunião ocorre após sucessivos adiamentos da decisão, que já saiu da pauta do colegiado mais de uma vez por falta de consenso técnico e político.
O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, tem intensificado as articulações para destravar o tema. Nos últimos dias, ele reuniu integrantes do governo e representantes do setor de combustíveis para alinhar uma proposta que possa ser levada ao CNPE com maior chance de aprovação.
A ala favorável à medida defende que o aumento da mistura pode reduzir o preço da gasolina ao consumidor, ao ampliar o uso de etanol, geralmente mais barato, e diminuir a necessidade de importação de combustíveis fósseis. A iniciativa também é tratada como estratégica para reforçar a segurança energética e a agenda ambiental do país.
Por outro lado, a proposta enfrenta resistências. Parte da indústria automotiva e consumidores, especialmente donos de veículos mais antigos, apontam riscos de impactos sobre motores e desempenho com teores mais elevados de etanol. Técnicos do governo também defendem cautela e a realização de testes adicionais antes de qualquer ampliação mais significativa.
Atualmente o Brasil já opera com uma das maiores proporções de etanol na gasolina do mundo. O percentual foi elevado para 30% em junho do ano passado, aproximando o país do limite considerado seguro para a frota atual.
A eventual adoção de patamares mais altos dependerá de validações técnicas e da decisão política do CNPE. A expectativa é que o encontro desta terça sirva para consolidar um entendimento dentro do governo, ainda que a implementação da nova mistura possa ocorrer de forma gradual.
Manifestações de entidades do setor
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que é favorável à medida, tem pedido mais cautela e um período de testes mais prolongado para garantir a segurança para os consumidores. A ideia é que exista um cronograma rigoroso de testes para verificar se os veículos suportam a abrasividade do combustível.
Por outro lado, entidades do setor de etanol tem defendido a medida. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a proposta foi baseada em estudos do programa Combustível do Futuro, que já avaliaram desempenho, consumo, partida, frio e funcionamento em diversos veículos.
Guerra no Irã pode impactar a decisão sobre gasolina
- A escalada de tensões no Irã pressiona os preços internacionais do petróleo, o que pode influenciar na decisão do colegiado;
- Em cenários de petróleo mais caro, elevar a mistura de etanol ganha força dentro do governo como forma de amortecer repasses ao consumidor;
- Por outro lado, a volatilidade externa também reforça a cautela de parte da equipe técnica, que teme mudanças estruturais em meio a um ambiente de preços instáveis;
- A decisão do CNPE passa a considerar não só fatores domésticos, mas também o risco geopolítico, já que choques no Oriente Médio têm impacto direto sobre combustíveis;
- O aumento da mistura é visto como instrumento de política energética para reduzir a exposição do país a crises internacionais e à dependência de derivados importados.
Fonte: Metrópoles/Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo


