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Crise em Cuba se agrava após ofensiva de Donald Trump contra o país

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Dono de um estabelecimento comercial no Brasil, a bagagem do cubano que visita familiares que ainda vivem em Cuba é sempre dividida em duas partes: uma pequena mala com roupas, e outra destinada a levar produtos de difícil acesso aos moradores da ilha, como itens de higiene básica e remédios.

Embargo dos EUA contra Cuba

  • Desde 1958, Cuba é alvo de um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.
  • As sanções foram impostas no contexto da Guerra Fria, e da aproximação de Cuba com o regime comunista, alinhado a extinta União Soviética.
  • Frequentemente, o governo cubano culpa as retaliações econômicas pela grave situação vivida pelo país.
  • Há mais de três décadas, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede o fim do embargo econômico imposto pelos EUA contra Cuba.
  • As resolução na Assembleia Geral da ONU, porém, sempre recebem votos contrários dos EUA e de aliados como Israel.

Menos de um ano havia se passado desde a última viagem para o país, mas o tempo foi suficiente para que ele enxergasse pioras na situação do país — que coincidiram com mudanças regionais na América Latina provocadas por ações vindas dos Estados Unidos de Donald Trump.

“A viagem foi muito boa, mas o problema está lá”, disse o homem que vive no Brasil há 26 anos e preferiu não se identificar por medo de represálias contra membros da família que ainda estão em Cuba. “Está faltando tudo lá, reduziram o horário de funcionamento de hospitais, muitos dias a energia acaba por 18 horas seguidas e o transporte público não presta”. 

Exemplo claro de como a vida piorou em Cuba nos últimos meses está no transporte público do país que, assim como outras áreas, encareceu depois da recente crise energética no país provocada pela nova ofensiva de Trump contra Havana.

“Antes de eu voltar para o Brasil, minha mãe viajou para o interior com medo de uma possível invasão dos Estados Unidos”, revela. “Para você ter ideia, a passagem custava 5 mil pesos cubanos [cerca de R$ 1,8 mil], mas com a falta de combustível as empresas aumentaram o preço 15 mil pesos [mais de R$ 3,2 mil] nos últimos dias”.

Cerco dos EUA contra Cuba

crise humanitária no país, que enfrenta o embargo comercial, econômico e financeiro mais duradouro da história, se agravou no início deste ano. Logo após os Estados Unidos anunciarem a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os olhos da administração Trump se voltaram para Cuba.

Na primeira entrevista após a operação norte-americana em Caracas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se dirigiu diretamente ao atual governo de Cuba — do qual é crítico. Filho de imigrantes cubanos, o chefe da diplomacia norte-americana alertou que “se fosse um estadista cubano hoje, estaria muito preocupado“.

Dias depois foi a vez do presidente dos EUA ameaçar o governo cubano. Trump já havia sinalizado a possibilidade de uma ação norte-americana contra a ilha, e afirmou que a administração de Cuba poderia cair “muito em breve”.

Foi neste cenário que o líder norte-americano aproveitou a mudança política na Venezuela, que passou a se alinhar com os interesses de Washington após a queda de Maduro, para aumentar a pressão contra Cuba.

Em seguida, Trump anunciou que a nova administração venezuelana concordou em interromper o envio de petróleo e dinheiro para Cuba para pressionar por negociações. Os dois países, por anos, formaram uma aliança estratégica cujo objetivo era driblar a pressão norte-americana sobre as duas nações.

“A Venezuela agora tem os Estados Unidos da América, as forças armadas mais poderosas do mundo (de longe!), para protegê-la, e nós a protegeremos. NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO PARA CUBA – ZERO! Sugiro fortemente que façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth.

No fim de janeiro, o líder norte-americano aumentou suas investidas, e autorizou sanções dos EUA contra países que fornecerem petróleo para Cuba — que até o último ano dependia, quase exclusivamente, de exportações do combustível da Venezuela e México.

Situação que já era ruim, piorou

Com o cerco, bastaram poucas semanas para a situação delicada em Cuba piorar. Nesta semana, o governo cubano anunciou que o combustível para aviação no país acabou, comprometendo diretamente a já defasada malha aérea do país.

Toda a pressão de Trump contra a ilha tem um objetivo: forçar autoridades locais a negociarem com os EUA. Os termos de um possível acordo desejado por Trump ainda não são claros. Eles, contudo, podem incluir discussões sobre a libertação de presos políticos e a realização de novas eleições em Cuba, sob o olhar atento de Washington.

Na visão de Havana, porém, as ameaças de Trump são uma clara tentativa de interferir nos assuntos internos do país, como aconteceu com a vizinha Venezuela.

De início, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país que comanda é uma nação “livre, independente e soberana”. Por isso, argumentou o herdeiro político dos irmãos Castro, a população cubana está pronta para defender a “pátria até a última gota de sangue”.

Mas na última semana, o líder cubano recuou após Trump falar sobre a possibilidade de um acordo com Cuba, e se mostrou disposto ao diálogo com os EUA. Discussões que, de acordo Díaz-Canel, devem acontecer sem “pressões ou precondicionamentos”.

Enquanto o contato diplomático entre EUA e Cuba engatinha, e as ameaças do líder norte-americano aumentam, os maiores afetados pela crise continuam sendo a população cubana.

“Um quilo de carne de porco está custando 1,7 mil pesos [cerca de 368 reais]. As maiores necessidades de Cuba são coisas básicas, como eletricidade, comida e medicamentos”, analisa o cubano morador de Brasília. “Os políticos, tanto de Cuba quanto dos Estados Unidos, precisam entender e olhar para essas coisas quando decidirem fazer qualquer tipo de negociação”. 

Fonte: Metrópoles/Foto: Anadolu/Getty Images

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